DF cria centro para desenvolver tecnologias que podem revolucionar a reabilitação de pacientes com AVC e lesão medular

Projeto selecionado pela FAPDF para atender demanda da Secretaria de Saúde do DF integra exoesqueletos inteligentes, neuropróteses, inteligência artificial e realidade virtual para ampliar o acesso à reabilitação na rede pública

O Distrito Federal dará um passo importante rumo à medicina do futuro com a criação do Centro de Tecnologias de Reabilitação Neuromotora. A iniciativa foi desenvolvida pela Universidade de Brasília (UnB) para atender uma demanda estratégica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) e foi selecionada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio do Programa Desafio DF. O objetivo é desenvolver, validar e incorporar novas tecnologias de reabilitação neuromotora à rede pública de saúde, ampliando o acesso de pacientes a tratamentos de alta complexidade.

A criação do centro é resultado de uma chamada pública do Programa Desafio DF, iniciativa da FAPDF voltada ao financiamento de projetos capazes de solucionar desafios estratégicos apresentados por órgãos do Governo do Distrito Federal. Neste caso, a Secretaria de Saúde do DF identificou a necessidade de ampliar o acesso a tecnologias avançadas para reabilitação neuromotora e lançou o desafio para que instituições de pesquisa apresentassem propostas. Entre os projetos concorrentes, a proposta desenvolvida pela Universidade de Brasília recebeu a melhor avaliação técnica e foi selecionada para implantação.

A Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) é responsável pela gestão administrativa, financeira e operacional do projeto, oferecendo o suporte necessário à execução das atividades previstas. A Fundação também apoia as ações de comunicação, divulgação científica e publicidade da iniciativa. 

À frente do projeto está o professor Roberto de Souza Baptista, coordenador do Laboratório de Automação e Robótica (LARA) da UnB. Segundo ele, a equipe desenvolve tecnologias voltadas à reabilitação neuromotora há cerca de 12 anos e a criação do centro representa um avanço natural da maturidade alcançada pelas pesquisas.

“Essas tecnologias vêm evoluindo de forma consistente e já estão sendo incorporadas, gradualmente, em centros de reabilitação de diversos países. Agora temos a oportunidade de aproximar essa inovação da realidade da rede pública do Distrito Federal e dos pacientes que dependem desses tratamentos”, afirma.

Da pesquisa ao atendimento dos pacientes

O novo centro nasce com a proposta de fechar um ciclo ainda raro no mundo: desenvolver tecnologias dentro da universidade, validá-las diretamente na prática clínica e utilizá-las no atendimento cotidiano dos pacientes da rede pública de saúde.

Entre as soluções que farão parte da estrutura estão neuropróteses, sistemas de eletroestimulação funcional, exoesqueletos inteligentes, inteligência artificial e recursos de realidade virtual, que poderão atuar de forma integrada durante o processo de reabilitação.

Os equipamentos serão voltados principalmente para pessoas com lesão medular e vítimas de acidente vascular cerebral (AVC). No futuro, a expectativa é ampliar a aplicação para pacientes com esclerose múltipla,  paralisia cerebral, entre outras condições.

Um dos resultados já obtidos pelo grupo de pesquisa foi o uso contínuo da eletroestimulação funcional associada ao ciclismo em pessoas com lesão medular. A técnica promove a ativação da musculatura paralisada, favorecendo o fortalecimento muscular, a melhora da densidade óssea e impactos positivos na autoestima e na qualidade de vida dos participantes.

Outro destaque do projeto são os exoesqueletos inteligentes. Diferentemente dos modelos convencionais, que realizam todos os movimentos de forma automática, a nova geração é capaz de interpretar a intenção de movimento do paciente e oferecer apenas a assistência necessária para completar a ação.

“Com essa tecnologia, o equipamento identifica quanto o usuário consegue participar do movimento e auxilia apenas o suficiente. Isso favorece uma recuperação mais ativa e, dependendo do caso, pode contribuir para que a pessoa volte a realizar determinados movimentos de forma independente”, explica Baptista.

Integração de tecnologias promete acelerar a recuperação

A proposta do centro é combinar diferentes recursos terapêuticos em um único protocolo de tratamento. Enquanto o exoesqueleto auxilia mecanicamente o movimento, a eletroestimulação funcional ativa músculos comprometidos, a realidade virtual fornece biofeedback ao paciente e a inteligência artificial analisa os resultados para personalizar continuamente a intervenção.

Segundo o pesquisador, essa atuação conjunta pode potencializar a reorganização do sistema nervoso e do sistema musculoesquelético, ampliando as chances de recuperação quando comparada às técnicas convencionais. Além disso, os equipamentos também deverão reduzir o esforço físico exigido dos profissionais que atuam diariamente na reabilitação de pacientes.

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal será responsável pela etapa de validação clínica das tecnologias. Os dispositivos serão incorporados aos protocolos de atendimento de um dos centros de reabilitação da rede pública, permitindo que pesquisadores e equipes assistenciais acompanhem os resultados em tempo real.

“Poucos centros de pesquisa no mundo conseguem integrar, de forma institucional, pesquisa, inovação e atendimento clínico. Essa aproximação entre a Universidade de Brasília e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal cria um ambiente que pode acelerar o desenvolvimento de novas soluções e gerar benefícios tanto para os pacientes quanto para a ciência brasileira”, destaca o professor.

Neste momento, a equipe trabalha na aquisição dos equipamentos, formação dos pesquisadores e elaboração dos protocolos científicos. Paralelamente, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal realiza o planejamento da estrutura física que receberá o centro e define o perfil dos profissionais que atuarão na iniciativa. A expectativa é que, nos próximos meses, sejam definidos o local de implantação e o início dos protocolos experimentais.

O projeto é financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio do Programa Desafio DF, iniciativa voltada ao desenvolvimento de soluções inovadoras para desafios estratégicos apresentados por órgãos do Governo do Distrito Federal.

Além de Roberto de Souza Baptista, o projeto é coordenado pelos professores Henrique Taira Menegaz, João Luiz Quagliotti Durigan, da Universidade de Brasília, e Anselmo Frizera Neto, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Finatec é habilitada para integrar Banco de Organizações da Sociedade Civil do ICMBio

A Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) foi habilitada para integrar o Banco de Organizações da Sociedade Civil do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), conforme resultado do Edital de Credenciamento nº 001/2025/ICMBio.

Já credenciada como fundação de apoio do ICMBio, nos termos da Lei nº 8.958/1994, a Finatec amplia, com essa habilitação, suas possibilidades de atuação institucional junto ao Instituto. A inclusão no Banco de Organizações da Sociedade Civil permitirá que a Fundação também participe de futuras parcerias celebradas por esse instrumento.

O banco reúne organizações consideradas aptas a atuar em projetos do ICMBio, de acordo com as demandas e a compatibilidade técnica de cada iniciativa.

Conforme previsto no edital, a habilitação não gera contratação imediata. As organizações poderão ser convocadas à medida que surgirem projetos compatíveis com sua área de atuação.

Credenciamento de Consultore(as) Ad Hoc – Start BSB | Eixo 1 – Ciclo 3 (2027)

Estão abertas as inscrições para o Edital nº 03/2026 da Finatec, que visa ao credenciamento e à seleção de avaliadores ad hoc para atuação no Programa Cocreation Lab DF: acelerando a ideação inovadora (versão 2.0), iniciativa vinculada ao Programa Start BSB. O edital tem como objetivo formar um banco de profissionais qualificados para avaliar propostas de projetos inovadores desenvolvidos por startups e empreendedores do Distrito Federal e da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE).

O Cocreation Lab DF é resultado de uma parceria entre a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), a Universidade de Brasília (UnB) e o Instituto Federal de Brasília (IFB). A iniciativa busca transformar ideias inovadoras em negócios por meio de uma metodologia estruturada de pré-incubação, contribuindo para o fortalecimento do ecossistema de inovação do Distrito Federal.

Os profissionais credenciados poderão ser convocados para avaliar propostas inscritas no Programa Start BSB, analisando aspectos como inovação, viabilidade técnica, potencial de mercado e impacto das iniciativas. O credenciamento não garante convocação, que ocorrerá conforme a aderência da qualificação do profissional às áreas temáticas e às demandas do programa.
Cronograma

Inscrições: 6 a 24 de agosto de 2026

Divulgação do resultado provisório: após análise das inscrições

Prazo para recursos: até 3 dias úteis após a publicação do resultado provisório

Divulgação do resultado definitivo: após análise dos recursos
Podem participar profissionais brasileiros ou estrangeiros em situação regular no Brasil que possuam formação ou experiência compatível com as áreas de inovação, empreendedorismo, desenvolvimento tecnológico, incubação, aceleração ou avaliação de startups, conforme os requisitos previstos no edital.

Por que participar

• Integrar o banco de avaliadores ad hoc da Finatec

• Contribuir para o fortalecimento do ecossistema de inovação do Distrito Federal

• Atuar na avaliação de propostas com potencial de impacto tecnológico e socioeconômico

• Receber remuneração de R$ 100,00 por parecer validado, conforme as condições estabelecidas no edital

Do planejamento à ação: resumo do mês de Julho de 2026

Confira os principais destaques do mês de julho na Finatec:

Seminário Nacional APS Imuniza+ Brasil reúne representantes de 20 municípios na Finatec

Nos dias 2 e 3 de julho, a Finatec sediou o Seminário Nacional APS Imuniza+ Brasil – Desafios Contemporâneos da Vacinação. O encontro reuniu especialistas, pesquisadores, gestores, profissionais da Atenção Primária à Saúde e representantes de 20 municípios brasileiros para discutir estratégias de fortalecimento da imunização no país. A atividade integra projeto desenvolvido pela Universidade de Brasília (UnB), com apoio da Finatec na gestão administrativa, financeira e operacional.

MATÉRIA: Seminário Nacional APS Imuniza+ Brasil reúne representantes de 20 municípios na Finatec

Estudo da UnB amplia monitoramento do HPV e reforça avanços na prevenção do câncer de colo do útero

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Brasília amplia o monitoramento da circulação do HPV entre mulheres jovens atendidas pela rede pública de saúde do Distrito Federal. O estudo, que já avaliou cerca de 300 mulheres, inicia uma nova etapa para acompanhar a circulação dos diferentes tipos do vírus após a implementação da vacinação pelo SUS. A nova fase conta com apoio administrativo e financeiro da Finatec e prevê a inclusão de mais 250 participantes.

MATÉRIA: Estudo da UnB amplia monitoramento do HPV

Finatec amplia apoio à pesquisa científica com acompanhamento de nova cota para importações

A ampliação da cota global anual destinada às importações de bens e insumos para pesquisa científica e tecnológica foi oficializada pelo Ministério da Fazenda em julho. Com a medida, o limite para 2026 passa a ser superior a US$ 354 milhões. A Finatec acompanha as atualizações da política de importações e presta suporte às coordenações de projetos nos processos de importação sob sua gestão.

MATÉRIA: Nova portaria amplia cota de importações destinada à pesquisa científica em 2026

Projeto da UnB leva educação em saúde menstrual às escolas públicas do DF

O projeto Escola Cidadã: Educação e Promoção de Letramento em Saúde Menstrual de Meninas e Mulheres nas Escolas do Distrito Federal (Pro-LEME) leva educação em saúde menstrual para escolas públicas do DF. A iniciativa busca ampliar o acesso à informação, combater tabus e fortalecer a autonomia de meninas e mulheres. Vinculado ao Laboratório de Educação, Informação e Comunicação em Saúde (LabECoS), o projeto conta com o apoio da Finatec e aproxima universidade, escolas e comunidade por meio de ações de educação e promoção da saúde.

MATÉRIA: Projeto da UnB leva educação em saúde menstrual às escolas públicas do DF

Seminário Nacional APS Imuniza+ Brasil reúne representantes de 20 municípios na Finatec

Nos dias 2 e 3 de julho, a Finatec sediou o Seminário Nacional APS Imuniza+ Brasil – Desafios Contemporâneos da Vacinação, encontro que reuniu especialistas, pesquisadores, gestores, profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) e representantes de 20 municípios brasileiros para debater estratégias voltadas ao fortalecimento da imunização no país.


O evento integra as ações do projeto “Pesquisa-ação Qualificação de Ações de Vacinação na Atenção Primária à Saúde e Apoio para Recuperação da Cobertura e Redução da Hesitação Vacinal”, desenvolvido pela Universidade de Brasília (UnB), sob coordenação da professora Denise Furlanetto. A iniciativa conta com o apoio da Finatec, que atua como fundação de apoio responsável pela gestão administrativa, financeira e operacional do projeto, contribuindo para a viabilização das atividades e para o fortalecimento de ações estratégicas voltadas à saúde pública.


A programação teve início com uma mesa de abertura composta por representantes do Laboratório de Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde (LAGETIS/FS/UnB), do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), evidenciando a articulação entre instituições de ensino, organismos internacionais e órgãos públicos em torno do fortalecimento das políticas de vacinação no Brasil.


Ao longo do primeiro dia, os participantes acompanharam a apresentação dos resultados alcançados pela intervenção formativa do projeto APS Imuniza+ Brasil e discutiram os próximos passos da iniciativa, em um momento de integração entre pesquisadores, tutores e gestores. A programação também contou com a apresentação do Instrumento de Pesquisa sobre Hesitação Vacinal, conduzida pela pesquisadora Leonor Pacheco, da Universidade de Brasília, além da Mostra de Experiências APS Imuniza+ Brasil, espaço dedicado ao compartilhamento de práticas, desafios e soluções desenvolvidas pelos representantes dos 20 municípios participantes para fortalecer as ações de imunização na Atenção Primária à Saúde.


No segundo dia, a mesa-redonda “Desafios e estratégias para o enfrentamento da hesitação e aumento da cobertura vacinal” reuniu Adriano Ferreira Martins, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), e Alexsandra Freire, da Coordenação-Geral de Incorporação Científica e Imunização do Ministério da Saúde (COCT/MS), com mediação de Carlos Leonardo Figueiredo Cunha, da UnB e da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). O debate promoveu reflexões sobre estratégias para ampliar a confiança da população nas vacinas, enfrentar a hesitação vacinal e fortalecer as ações de imunização em todo o país.


O seminário foi encerrado com a cerimônia de premiação dos municípios participantes, conduzida por Fabiany Glaura Alencar e equipe do LAGETIS, em reconhecimento às experiências desenvolvidas ao longo da intervenção formativa e ao compromisso das equipes municipais com o fortalecimento da vacinação em seus territórios.


Ao sediar o Seminário Nacional APS Imuniza+ Brasil, a Finatec reafirma seu compromisso com iniciativas que apoiam a pesquisa, fortalecem a gestão de projetos estratégicos, promovem a produção e a disseminação do conhecimento e contribuem para o desenvolvimento de políticas públicas que geram impactos positivos para a saúde da população brasileira.

Projeto da UnB leva educação em saúde menstrual às escolas públicas do DF e combate tabus entre adolescentes

Pro-LEME aposta no letramento em saúde para ampliar a autonomia de meninas e mulheres, enfrentar a desinformação e tornar o ambiente escolar mais acolhedor

Vergonha de pedir um absorvente, medo de manchar a roupa durante a aula, dúvidas sobre o próprio corpo e informações equivocadas sobre a menstruação ainda fazem parte da rotina de muitas meninas nas escolas brasileiras. Embora o tema tenha ganhado mais espaço nos últimos anos, o ciclo menstrual continua cercado por tabus que impactam o bem-estar, a autoestima e até a permanência das estudantes no ambiente escolar.

Para transformar essa realidade, a Universidade de Brasília (UnB) desenvolve o Escola Cidadã: Educação e Promoção de Letramento em Saúde Menstrual de Meninas e Mulheres nas Escolas do Distrito Federal (Pro-LEME). Vinculado ao Laboratório de Educação, Informação e Comunicação em Saúde (LabECoS), o projeto integra o programa de extensão Escola Cidadã e conta com o apoio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec). A iniciativa leva educação em saúde para escolas públicas do Distrito Federal, promovendo informação qualificada, diálogo e autonomia para que meninas e mulheres vivenciem a menstruação de forma mais saudável e sem estigmas.

“O Pro-LEME surgiu da escuta e da aproximação com a realidade vivida por meninas e mulheres nas escolas públicas do Distrito Federal. Percebemos que muitas estudantes ainda enfrentam a menstruação com vergonha, medo, desinformação ou constrangimento, além das dificuldades de acesso a condições adequadas de higiene. Entendemos que a saúde menstrual é uma questão de saúde pública, educação, dignidade e direitos humanos”, explica a coordenadora do projeto, professora Ana Valéria Machado Mendonça.

Mais do que informação: autonomia para o cuidado

Diferentemente de iniciativas voltadas exclusivamente ao acesso a produtos de higiene menstrual, o Pro-LEME tem como eixo central o letramento em saúde menstrual — conceito que busca desenvolver nas estudantes a capacidade de compreender o próprio corpo, reconhecer quando um sintoma exige atenção profissional, escolher métodos de manejo menstrual adequados à sua realidade e tomar decisões conscientes sobre sua saúde.

“O letramento em saúde menstrual faz a ponte entre a informação técnica e a vivência cotidiana. Quando a estudante compreende seu ciclo, sabe identificar sinais de alerta e entende onde buscar ajuda, ela ganha autonomia para cuidar da própria saúde e reduz a ansiedade que ainda acompanha a menstruação para muitas meninas”, afirma Ana Valéria.

Além das dúvidas sobre o funcionamento do ciclo menstrual, a equipe identifica que ainda persistem crenças equivocadas sobre o que pode ou não ser feito durante a menstruação, além do receio de vazamentos e do constrangimento em falar sobre o assunto. Para a coordenadora, romper esse silêncio é um passo fundamental para garantir qualidade de vida e igualdade de oportunidades às estudantes.

Construção coletiva dentro das escolas

As atividades do Pro-LEME são desenvolvidas de forma participativa, envolvendo estudantes, professores, gestores e demais integrantes da comunidade escolar. Antes de definir as ações, a equipe promove momentos de escuta para compreender as principais dúvidas e necessidades de cada escola, evitando uma abordagem padronizada.

Entre as estratégias estão rodas de conversa, fóruns, formulários participativos e materiais educativos produzidos especialmente para o público jovem, como um e-book que utiliza personagens lúdicos para combater fake news e facilitar o diálogo sobre saúde menstrual. As atividades são adaptadas à realidade de cada unidade escolar, tornando o processo de aprendizagem mais próximo das vivências das estudantes.

Para fortalecer o trabalho desenvolvido pelas escolas, o projeto também elaborou planos de aula alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), permitindo que o tema seja abordado de forma interdisciplinar ao longo do ano letivo e deixe de aparecer apenas em ações pontuais.

Escola, universidade e comunidade unidas pela saúde

A expectativa da equipe é que o projeto contribua para ampliar a busca por informações confiáveis, fortalecer o autocuidado e naturalizar o debate sobre a menstruação no ambiente escolar, reduzindo estigmas, preconceitos e situações de constrangimento.

Mais do que compartilhar conhecimento, o Pro-LEME reforça a proposta do programa Escola Cidadã de aproximar universidade, escolas e comunidade por meio da construção coletiva do conhecimento e da promoção da saúde.

“O Pro-LEME é um braço importante do Escola Cidadã. Ele integra um conjunto de ações que transforma a escola em um espaço de promoção da saúde e reafirma o papel social da universidade ao devolver à sociedade conhecimentos capazes de transformar, de forma concreta, a realidade das estudantes”, conclui Ana Valéria.

Nova portaria amplia cota de importações destinada à pesquisa científica em 2026

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) informou a ampliação da cota global anual destinada às importações de bens e insumos para pesquisa científica e tecnológica no exercício de 2026. A medida foi oficializada pela Portaria MF nº 2.060, de 10 de julho de 2026, publicada pelo Ministério da Fazenda, que elevou em aproximadamente US$ 100 milhões o limite anual das importações beneficiadas com isenção tributária prevista na Lei nº 8.010/1990.

Com a alteração, o limite global anual para 2026 passa a ser superior a US$ 354 milhões, ampliando a disponibilidade de recursos destinados às importações de máquinas, equipamentos, aparelhos, instrumentos, matérias-primas e demais insumos utilizados em atividades de pesquisa científica e tecnológica por pesquisadores, instituições científicas e entidades credenciadas junto ao CNPq.

Segundo o CNPq, a ampliação é resultado de articulações conduzidas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pelo próprio Conselho junto ao Ministério da Fazenda, em resposta ao elevado volume de solicitações registrado ao longo do ano. A medida busca assegurar maior capacidade de atendimento às demandas da comunidade científica e reduzir os impactos provocados pelo rápido comprometimento da cota inicialmente estabelecida para 2026.

O CNPq também informou que as tratativas com a Advocacia-Geral da União (AGU), com apoio da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), continuam em andamento para buscar maior segurança jurídica e aperfeiçoar os mecanismos de importação de equipamentos destinados à pesquisa científica.

A Finatec acompanha as atualizações relacionadas à política de importações para pesquisa científica e permanece prestando suporte às coordenações de projetos na condução dos processos de importação sob sua gestão, observando as diretrizes estabelecidas pelos órgãos competentes.

PORTARIA MF Nº 2.060, DE 10 DE JULHO DE 2026

Chamada 02/2026 do Start BSB abre inscrições para ideias inovadoras no Distrito Federal

Estão abertas as inscrições para a Chamada 02/2026 do Programa Start BSB – Eixo I: Ideação e Pré-Incubação, iniciativa vinculada ao Edital FAPDF nº 11/2026. A chamada é destinada à seleção de propostas para ingresso no Cocreation Lab DF, programa de pré-incubação voltado ao desenvolvimento de ideias inovadoras e negócios em estágio inicial.

O Cocreation Lab DF é uma parceria entre a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), a Universidade de Brasília (UnB) e o Instituto Federal de Brasília (IFB). A iniciativa tem como objetivo transformar ideias em empreendimentos inovadores por meio de uma metodologia estruturada de pré-incubação, com mentorias, assessorias, capacitações e acompanhamento especializado.

Nesta edição, poderão ser selecionados até 50 projetos para ingresso no programa, além da formação de cadastro reserva com até 30 propostas, conforme os critérios estabelecidos na chamada pública. Durante o período de pré-incubação, as equipes terão acesso a espaços colaborativos, oficinas, cursos, palestras e ferramentas para validação e desenvolvimento de seus modelos de negócio.
Cronograma

Cronograma

Inscrições – Etapa 1: 10 de julho a 3 de agosto de 2026

Inscrições – Etapa 2: 4 de agosto a 3 de setembro de 2026

Resultado preliminar: 24 de setembro de 2026

Resultado final: 15 de outubro de 2026

Convocação dos selecionados: 16 a 26 de outubro de 2026

A chamada é destinada a pessoas físicas e startups sediadas no Distrito Federal ou na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE) que possuam ideias inovadoras ou negócios em fase inicial de desenvolvimento e desejem transformá-los em empreendimentos sustentáveis.

Por que participar

Programa estruturado de pré-incubação

• Mentorias, assessorias e capacitações especializadas

• Espaços colaborativos para desenvolvimento das propostas

• Conexão com o ecossistema de inovação do Distrito Federal

• Possibilidade de acesso à subvenção econômica prevista no Edital FAPDF nº 11/2026 para as propostas classificadas, conforme os critérios estabelecidos

Estudo da UnB amplia monitoramento do HPV e reforça avanços na prevenção do câncer de colo do útero

Pesquisa já avaliou cerca de 300 mulheres atendidas pelo SUS no Distrito Federal e inicia nova etapa para acompanhar a circulação do vírus após a introdução da vacinação

Um projeto de pesquisa desenvolvido na Universidade de Brasília (UnB) está ampliando o monitoramento da circulação do HPV (papilomavírus humano) entre mulheres jovens atendidas pela rede pública de saúde do Distrito Federal. A iniciativa busca identificar quais tipos do vírus ainda circulam na população após a implementação da vacinação pelo Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para o aprimoramento das estratégias de prevenção e rastreamento do câncer de colo do útero.

Intitulado “Testagem para presença de tipos de HPV (Vírus do Papiloma Humano) em mulheres jovens atendidas pela rede pública de saúde do DF”, o estudo teve início há cerca de quatro anos, sob coordenação da professora Fabiana Pirani Carneiro, da Universidade de Brasília. Atualmente, a pesquisa entra em uma nova etapa, coordenada pela professora Andrea Barretto Motoyama, com apoio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), responsável pelo suporte administrativo e financeiro desta fase do projeto.

Realizada ao longo dos últimos quatro anos, a pesquisa já contou com a participação de aproximadamente 300 mulheres. O foco é avaliar a presença de diferentes tipos de HPV em uma geração que cresceu durante a implementação da vacinação contra o vírus no Brasil, permitindo analisar o impacto da imunização na circulação dos genótipos associados ao câncer de colo do útero.

“O projeto tem dois objetivos principais: verificar a presença de HPV em mulheres jovens elegíveis à vacinação pelo SUS e identificar se tipos de alto risco ainda circulam entre mulheres vacinadas, analisando quais são eles”, explica a professora Andrea Barretto Motoyama, coordenadora da atual etapa da pesquisa.

Os resultados preliminares observados até o momento são considerados promissores. Segundo a pesquisadora, o HPV16 — um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do câncer de colo do útero em todo o mundo — não foi identificado entre as participantes avaliadas até agora. “Os resultados preliminares são bons e mostram que o HPV16 não foi encontrado na nossa população. Isso indica que estamos no caminho certo para a erradicação do câncer de colo do útero”, afirma.

Nova etapa amplia acompanhamento

Após a conclusão da primeira fase, coordenada pela professora Fabiana Pirani Carneiro e financiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e pela Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), o projeto inicia agora uma segunda etapa, sob coordenação da professora Andrea Barretto Motoyama. Esta fase é financiada por meio de emenda parlamentar da senadora Leila Barros e conta com apoio administrativo e financeiro da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec).

Nesta etapa, serão incluídas mais 250 participantes. Desse total, até 120 mulheres que apresentaram alguma alteração nos exames realizados anteriormente serão acompanhadas novamente pelos pesquisadores. Outras 130 participantes serão incorporadas ao estudo, ampliando a base de dados e fortalecendo a análise epidemiológica.

A coleta das amostras ocorre na Unidade Básica de Saúde 1 da Cidade Estrutural e no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), que recebe participantes de diferentes regiões administrativas do Distrito Federal. A expectativa é que os resultados parciais sejam divulgados em publicações científicas nos próximos meses, enquanto a conclusão da pesquisa está prevista para ocorrer entre 18 e 24 meses.

Além da produção de conhecimento científico e da formação de graduandos e pós-graduandos, o estudo também prevê ações educativas voltadas à conscientização da população sobre vacinação, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e importância dos exames de rastreamento. “Temos as ferramentas necessárias para erradicar o câncer de colo do útero. A vacinação é segura, protege contra o câncer e, associada ao rastreamento adequado e às práticas sexuais seguras, pode transformar essa realidade. Agora precisamos ampliar o acesso e a adesão a essas estratégias”, conclui Andrea Motoyama.

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