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DEPEN/MSP

ENTENDA O PROJETO

Você já parou para pensar que toda construção arquitetônica atende às necessidades de ocupação das pessoas no espaço? Uma escola, por exemplo, precisa de salas de aula amplas e funcionais, banheiros adequados, biblioteca, espaço de alimentação e convívio. Com os presídios, essa premissa não seria diferente e, para se projetar uma edificação como essa é necessário pensar na higiene, no layout das celas, pátios de convivência, banho de sol e até mesmo o tamanho dos corredores. Outro aspecto primordial, que será tratado com muita atenção no projeto, é a segurança do usuário, tanto na perspectiva do usuário que está cumprindo a pena, quanto do usuário agente penitenciário, já que essa questão impacta diretamente no cotidiano daqueles que vivem e convivem nesse espaço.

Para atender a todas essas premissas, existe o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) que zela pela legislação que ampara as construções carcerárias. Nesse contexto, o projeto de Estudos e Pesquisa em Arquitetura Penal, desenvolvido pela UnB, se concretiza com a finalidade de reunir todos os envolvidos nos processos de planejamento e execução deste tipo de construção no país, por meio de uma cooperação técnico-científica entre a Fundação Universidade de Brasília (FUB/UnB) e o Ministério da Segurança Pública (MSP), por intermédio do Núcleo de Estudos e Pesquisa da Edificação Penal (NUESP) e do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN).

Apoiada pela Finatec, esta parceria é motivada pelo encontro de interesses dessas instituições que buscam as potenciais contribuições para o aprimoramento da edificação penal. A cooperação dos organismos públicos com a Universidade, configura-se como uma relação positiva para ambas as partes já que fortalece a atividade de pesquisa e realiza-se a aplicação do conhecimento científico gerando resultados inovadores para o DEPEN.

“O objetivo geral dos estudos a serem realizados é o fortalecimento do conhecimento específico da arquitetura penal, além dos processos e produtos da Cadeia Produtiva da Edificação Penal (CPEP), a partir do incremento da capacidade técnica do DEPEN, com base na aplicação dos recursos tecnológicos produzidos no âmbito do NUESP” – reforça Raquel Blumenschein, uma das professoras pesquisadoras a frente dos trabalhos.

Esse projeto é um dos grandes resultados de pesquisa científica do Parque de Inovação e Sustentabilidade do Ambiente Construído – PISAC, um centro de referência em tecnologias sustentáveis que trabalha em rede, como catalizador de capacidades técnicas consolidadas, visando à pesquisa e desenvolvimento com foco no ambiente construído.

Projeto Poti

ENTENDA O PROJETO

Projetos acadêmicos, que têm por finalidade observar a utilização e recomposição dos recursos naturais, são de grande relevância para os campos científico e tecnológico. Além de resultarem em benefícios sociais e econômicos, as pesquisas permitem a realização de experiências de campo imprescindíveis para o desenvolvimento sustentável e ambiental do país.

A indústria de petróleo e gás natural, por exemplo, composta por recursos minerais classificados como não renováveis, responde por uma parcela muito importante da economia brasileira. De acordo com a Petrobras, em 2018, a produção total de petróleo e gás, incluindo gás natural (LGN), foi de 2,63 milhões de barris de óleo por dia (boed). Para acompanhar o desenvolvimento econômico e social do país em relação aos recursos naturais exploráveis, surgem os projetos de pesquisa, um exemplo notável é o “Projeto Poti”.

Projeto Poti é um projeto acadêmico de pesquisa e desenvolvimento (P&D), coordenado pelos professores pesquisadores Carlos Emanoel de Souza Cruz e Carlos Jorge de Abreu, do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB), com a participação de mais três professores vinculados e um pesquisador não vinculado, quatro alunos de mestrado e quatro estagiários de graduação e um geólogo contratado celetista. O Projeto é patrocinado pela empresa petrolífera Eneva/Parnaíba Gás Natural com o apoio da Finatec – Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos – da UnB.

Este projeto consiste em caracterizar a qualidade e a arquitetura deposicional dos reservatórios de gás das formações Poti, Longá e Cabeças, da bacia sedimentar do Parnaíba, estados do Piauí e Maranhão. A pesquisa incentiva ainda o treinamento de jovens profissionais e estudantes de geologia em técnicas não adquiridas em um ambiente acadêmico, bem como, a modernização das capacidades laboratoriais da UnB a com a aquisição de equipamentos de última geração utilizados pelas mais importantes companhias e centros de pesquisa atuantes nas áreas de Petróleo e Gás.

Pesquisa na prática

A pesquisa é desenvolvida em ambiente acadêmico (UnB) com grande atuação prática de campo, na área da bacia sedimentar do Parnaíba na região dos estados do Piauí e Maranhão, próximo às cidades de Floriano, Picos, Teresina e Campo Maior no estado do Piauí e Barão do Grajaú no Maranhão. Nesta área foram realizadas as perfurações de seis poços rasos (500m de profundidade) para a retirada de rochas denominadas de testemunhos para estudos. Estes mesmos poços são usados pela população local como fornecedores de água potável.

Em seu percurso, o Projeto Poti contribuiu para a conclusão de três dissertações de mestrado e uma em fase de finalização, utilizando-se os dados levantados no campo naquela região. Outro resultado positivo foi a elaboração de um roteiro geológico de campo utilizado para o treinamento de pessoal do ramo. Entretanto, o principal resultado científico-tecnológico consistiu no maior conhecimento dos reservatórios de gás o que contribuirá para um incremento da produção deste bem na Bacia do Parnaíba.

De acordo com o Professor Souza Cruz, a pesquisa inclui também uma “experiência em que jovens estudantes-pesquisadores absorvem o conhecimento voltado para as técnicas de exploração de hidrocarbonetos, como treinamento e preparação destes futuros profissionais”, ressalta o pesquisador.

Importância social e econômica

“O projeto permitiu a aquisição de equipamentos permanentes e manutenção dos laboratórios, assim como adquirir um grande volume de rochas enriquecendo o acervo do Instituto de Geociências da UnB, podendo ser utilizado em outros futuros projetos”, afirmam os participantes. Também, parte dos recursos foi usada para manutenção de quatro bolsas de mestrado, trabalhos de pesquisa de professores pesquisadores e de bolsistas de graduação. Além de investir nas regiões da pesquisa por meio de contratação de microempresas e trabalhadores locais.

“Certamente, o Projeto Poti contribui para a efetividade do Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento, pois além de ter preparado geólogos especializados na exploração de hidrocarbonetos, adquiriu equipamentos de tecnologia de ponta para o Instituto de Geociências da Universidade de Brasília, o que, sem dúvidas, é bastante promissor para o avanço científico, social e econômico do nosso país”, avalia Valessa Araújo, mestre em Geologia pela UnB e uma das pesquisadoras bolsistas do Projeto Poti.

A especialista ressalta ainda os benefícios gerados para a instituição e destaca que a pesquisa tem grande importância para o setor petroleiro, área relevante para a economia do país. “Em um momento de escassez de empregos, tivemos a oportunidade de qualificar a nossa mão-de-obra, com experiências teóricas e de prática profissional na bacia do Parnaíba, onde, atualmente, há produção de gás natural”, completa.

Projeto de redução de custos para gerenciamento dos carros-pipa no nordeste brasileiro

ENTENDA O PROJETO

Mais de quatro milhões de nordestinos sofrem com a seca. É um problema que, para ser resolvido, exige mais investimentos em infraestrutura, saneamento e logística. A escassez de água nas regiões do sertão implica em condições sub-humanas. O Comando Militar do Nordeste executa, desde 1998, a Operação Carro-Pipa, que leva água às regiões mais remotas, como forma de amenizar o sofrimento causado pela seca. Tal operação implica em alto investimento logístico. No entanto, os repasses públicos nem sempre são aplicados de forma efetiva e de acordo com as necessidades de cada área.

Nesse sentido, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Regional e com o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), nasceu o “Projeto de redução de custos para gerenciamento dos carros-pipa no nordeste brasileiro”, coordenado pelo professor pesquisador Reinaldo Crispiniano Garcia, do Departamento de Engenharia de Produção, da Universidade de Brasília (UnB).

Cerca de 850 municípios nos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia são atendidos pela Operação Carro-pipa. Para transportar a água às regiões são usados mais de 6.800 pipeiros, que levam o produto até os 79 mil Pontos de Abastecimento e cisternas coletivas. Todo esse processo logístico gera grande custo financeiro ao Poder Público. Em 2017, por exemplo, o valor do repasse foi de cerca de R$ 1 bi, segundo informações do Governo Federal, do Ministério da Defesa e da ANA.

Como funciona?

Utilizando programas de otimização computacional e manipulação de dados, o projeto de redução inicialmente foi implantado como proposta piloto no município de Quixadá, no estado do Ceará, a partir de junho de 2018. Com os resultados positivos e uma diminuição de cerca de 20% nas distâncias percorridas pelos pipeiros, a proposta foi levada para todo o estado e depois expandido para o Piauí e Bahia.

No caso do Ceará, o projeto deve gerar uma diminuição de cerca de 6% nos custos de distribuição no estado. Em 2016, por exemplo, o valor do repasse, feito pelo Governo Federal, foi de R$21,5 mi. Com a implantação do programa de redução deverá haver uma diminuição de cerca de R$ 1,4 mi por mês. Segundo Reinaldo, gestor do programa de redução, nos próximos meses a proposta será implantada nos estados de Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba.

“A ideia é que para cada estado brasileiro, a gente faça essa otimização da seguinte forma: esse carro pipa vai ter de pegar água em tal lugar, pois a distribuição de tal lugar para tal região gerará diminuição no valor geral dos custos devido a menor quilometragem percorrida pelos pipeiros”, explica o pesquisador.

Depois de computar os dados das regiões e todos os pontos de abastecimento disponíveis, o programa gera um mapa onde é descrita a logística de distribuição mais vantajosa para cada região de forma correta e sem especulações, já que, para o Poder Público, é difícil determinar exatamente quais áreas devem ser abastecidas por quais mananciais de modo eficiente. A ideia é minimizar os custos de transporte dos caminhões que levam água para as comunidades, como destaca o professor Garcia.

“O grande problema é que os custos não eram otimizados, tudo era resolvido pela experiência e intuição das pessoas, sem aplicar ferramentas computacionais de otimização, acarretando maiores custos logísticos”, explica.
Reinaldo relata que o problema de Quixadá, por exemplo, poderia ser considerado relativamente simples. O município possuía três pontos de abastecimento, que atendiam cerca de 230 localidades. O trabalho de redução de custos consistiu em identificar quais pontos deveriam distribuir para quais localidades. A distância entre as localidades totalizava cerca de 22 mil km. Após a implantação do modelo no software Matlab, o aperfeiçoamento resultou na diminuição para 16 mil km.

O coordenador explica que, devido ao grande fluxo de informações das localidades, há a geração de um número muito maior de dados computacionais, como as distâncias exatas entre as regiões, as condições das estradas para cada localidade e o número de caminhões e pipeiros disponíveis. Foi preciso adquirir computadores capazes de armazenar todo o fluxo de dados. “Hoje o Exército já envia ao governo uma lista de localidades, de fazendas, pequenas cidades, povoados, municípios distantes que precisam de água. Então, os dados serão rodados no programa que desenvolvemos, e o resultado será indicar quais regiões deverão ser abastecidas por quais mananciais”, afirma Crispiniano.

Desafios

O pesquisador aponta que ainda há desafios a serem superados para que a aplicação do projeto consiga ser efetivada. Um deles é a dificuldade de conseguir reunir todas as distâncias entre todas as localidades e mananciais do nordeste brasileiro, especialmente aquelas que se localizarem nas fronteiras entre os estados. Por exemplo, ao se rodar os estados separadamente, assume-se para uma localidade fronteiriça, que necessariamente o manancial que irá fornecer água para ela estará localizado no estado onde a localidade se encontra. Porém, pode ocorrer de o manancial mais próximo estar localizado logo no outro lado da fronteira, no outro estado.

Outro problema é o fato de motoristas dos caminhões pipa ganharem por quilômetro rodado, o que implica em gastos com manutenção. Alguns acabam desistindo do trabalho, pois alegam que o valor ganho pelas viagens é menor que os gastos com o veículo, já que alguns trechos, mesmo que pequenos, possuem estradas ruins e inacessíveis. Com a otimização, os ganhos deles deverão ser ainda menores.

Otimização que gera desenvolvimento

O Mestre em Ciências Mecânicas e estudante de doutorado na UnB, Álvaro Campos Ferreira, que faz parte do projeto de otimização de custos, destaca a importância da implantação da proposta, especialmente em áreas mais carentes do Nordeste. “Nosso projeto tem como objetivo aperfeiçoar as rotas e aumentar a eficiência da distribuição de água através da inteligência e computação. O impacto econômico vem dessa eficiência, reduzindo a distância total percorrida pelos caminhões, sem que a capacidade de cada manancial seja excedida e nenhum município fique sem água”, destaca.

O especialista aponta a importância de projetos como este, desenvolvidos no ambiente acadêmico, e que geram benefícios para toda a população. “Esse projeto mostra como as universidades e instituições de pesquisa estão trabalhando para resolver problemas concretos da sociedade brasileira. O mesmo tipo de algoritmo que utilizamos para resolver esse problema pode ser utilizado para a otimização de distribuição de energia elétrica, então é possível que alguma parte de nossa metodologia seja aproveitada em um projeto semelhante de otimização”, finaliza.

Projeto de mapeamento e avaliação da qualidade dos corpos d´água do DF

ENTENDA O PROJETO

Após coletar amostras de água e de esgoto das 13 estações de tratamento (ETE) existentes no esgotamento sanitário do Distrito Federal (DF), um grupo de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), coordenado pelo professor Alex Leite, vem identificando desde agosto de 2017 a presença de microrganismos super-resistentes, conhecidas como superbactérias em algumas ETEs, entre elas, na Asa Sul, Brazlândia, Samambaia e Sobradinho. Em tese, estes organismos só deveriam ser encontrados em ambientes próximos ou de destino de lixo hospitalar, mas após os resultados das análises laboratoriais, foi verificada a presença das superbactérias também em ambientes comunitários.

Segundo explica Leite, Doutor em Biologia molecular, a presença dos microrganismos em ETEs próximas das áreas que concentram hospitais reforça o fato de que costumeiramente, o lixo hospitalar é descartado em áreas impróprias e inadequadas para receber esses dejetos. “Nosso laboratório ficou com a responsabilidade de fazer a avaliação da presença de bactérias multirresistentes em ambiente, em água e esgoto, e são bactérias que você espera encontrar apenas em ambiente hospitalar, é o que se espera, mas não é o que acontece”, explica Leite.

Dentro do projeto de mapeamento e avaliação da qualidade dos corpos d´água do DF, o grupo de pesquisa busca identificar a presença de superbactérias resistentes especificamente ao antibiótico carbapenem, utilizado exclusivamente em ambiente hospitalar. O antibiótico atinge vários grupos de bactérias, e é utilizado para combater infecções por bactérias. Ele possui grande importância médica, porém, a preocupação surge quando bactérias resistentes ao carbapenem são encontradas em ambientes comunitários.

A pesquisa utiliza a análise de espécies bacterianas específicas, como a Klebsiella pneumoniae, conhecida por causar infecções e pneumonias. Nos hospitais, essa bactéria é conhecida justamente por resistir aos efeitos do Carbapenem, e por essa razão, o grupo de pesquisa do projeto de mapeamento iniciou uma análise sobre a possível “fuga” dessa bactéria para ambientes comunitários por meio dos canais de esgoto. Os resultados mostraram que a bactéria está presente em algumas estações de esgoto, mas o que preocupa os pesquisadores é o fato da frequência desta bactéria ser maior em área de tratamento próximas a hospitais do DF.

Perigo químico fora dos hospitais
A coleta das amostras de esgoto e água é feita da seguinte forma: há a coleta de esgoto bruto, aquele que ainda não passou pela ETE, amostra de tratamento pós passagem pela estação e amostras de água no corpo aceptor do esgoto tratado. São colhidas duas amostras do esgoto tratado, uma a montante, que reflete o que ocorreria num ambiente natural não impactado pela atividade humana, e outra abaixo do derramamento de esgoto tratado, chamada de amostra jusante, que é aquela resultante das atividades humanas diárias. O resultado mostrou a presença de bactérias nas amostras jusantes, o que aponta a relação do envolvimento dessas bactérias em ambientes comuns, fora dos hospitais.

“Por incrível que pareça, a gente encontrou essas bactérias multirresistentes na maioria das estações de tratamento de esgoto, no esgoto bruto, no esgoto tratado e na amostra jusante de água. Elas não foram encontradas nas amostras a montante, acima do despejo. Isso é prova de que o ambiente natural frequentemente não comporta, não abriga esse tipo de microrganismo. Agora, eles circulam pelo esgoto bruto, sobrevivem ao tratamento e são despejados no corpo aceptor, e contaminam o ambiente por ação da estação de tratamento de esgoto”, explica o professor Leite.

Benefícios sociais muito além da saúde pública
O projeto de mapeamento e avaliação da qualidade da água no DF envolve pesquisadores da UnB e de instituições de Goiás e de Minas Gerais. A pesquisa tem o apoio da Finatec – Fundação de Apoio para Pesquisa, Ensino, Extensão e Desenvolvimento Institucional – e conta ainda com parceria com o Lacem (Laboratório Central de Saúde Pública), ligado à Secretaria de Saúde do DF. Leite aponta que a avaliação da qualidade da água no DF é feita no sentido de procurar riscos à saúde humana, em consonância com o mapeamento das áreas que potencialmente podem ter um risco maior de contaminação. Atualmente o projeto foi prorrogado por mais um ano, mas segundo o gestor, 70% da proposta já foi concluída.

Após chegarem a todos os resultados, o grupo de pesquisa pretende procurar os órgãos competentes, para que possíveis ações de controle a estas bactérias sejam iniciadas. Em relação a importância acadêmica da pesquisa, Leite evidencia que o projeto conseguiu financiar várias bolsas de mestrado e de iniciação científica, além de garantir insumos para pesquisas laboratoriais na UnB.

A mestranda Pâmela Maria de Oliveira, que faz parte do grupo de pesquisa, realiza a experimentação e análise de microbiológicos moleculares. Ela explica que no DF não há um projeto semelhante e da abrangência como o desenvolvido pelos pesquisadores. E por conta disso, não se sabe se há bactérias de importância clínica multirresistentes circulando no meio ambiente. “Acho que conhecimento é tudo, e a nossa pesquisa traz o conhecimento da presença ou não de certas bactérias de importância clínica no ambiente, e dependendo do resultado final, nosso resultado irá promover ações que poderão prevenir ou minimizar possíveis impactos na sociedade”, acredita a jovem pesquisadora.

Ela também lembra da importância de haver investimentos em área de pesquisa como essa, que podem subsidiar descobertas cientificas que tragam benefícios à sociedade. “O que eu vejo é que há investimento para alguns projetos, mas no geral falta muito para nos tornarmos um país que realmente valoriza o pesquisador e seu trabalho. E também vejo que o investimento para alguns programas tem diminuído com o passar o tempo, um exemplo é o próprio Programa de Iniciação Científica que tem diminuído a quantidade de bolsas no decorrer dos anos”, finaliza.

Gamificação no ensino de libras: elaboração e desenvolvimento de material didático para prática pedagógica

ENTENDA O PROJETO

De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, no Brasil mais de 10 milhões de pessoas são surdas. Pelo menos 25% desse total possui surdez profunda. Não há números oficiais sobre a quantidade de estudantes surdos nas escolas brasileiras, mas estima-se que sejam milhares de crianças e adolescentes. A educação para surdos ainda é um grande desafio no país. A falta de acessibilidade e a dificuldade de promoção de um ensino inclusivo figuram como os principais obstáculos.

Com foco em aprimorar essa acessibilidade, na Câmara dos Deputados, tramita o Projeto de Lei nº 2040/2011, que obriga a oferta do ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) nas modalidades da educação básica no país. Essa iniciativa do governo vai de encontro com outras iniciativas autônomas que têm por objetivo promover o ensino inclusivo da Libras, como é o caso do projeto “Gamificação no ensino de libras: elaboração e desenvolvimento de material didático para prática pedagógica”, que resultou em jogos inclusivos de ensino da Libras, feito tanto para surdos quanto para ouvintes. O projeto é coordenado pela professora do Departamento de Design da Universidade de Brasília (UnB), Ana Claudia Maynardes e tem o apoio da Finatec (Fundação de Apoio para Pesquisa, Ensino, Extensão e Desenvolvimento Institucional).

Maynardes explica que a concepção do projeto só começou depois que toda a equipe realizou uma imersão sobre propostas pedagógicas para o ensino da Libras, utilizando o exemplo da Apada como instituição de promoção da língua de sinais. “O projeto teve como proposta inicial a utilização dos jogos nas salas de aula da Apada. Nós precisávamos entender o que seria o ensino de libras. Ninguém na equipe tinha experiência na educação para surdos, então partimos da experiência deles. Nessa imersão foi possível fazer inúmeras observações de como o nosso projeto, que até então tinha uma concepção mais voltada para o design, seria adaptado para a libras e para a educação”, explica a coordenadora.

Ela lembra que foi preciso observar de perto a importância dos sinais e das expressões corporais para o ensino da libras e percebeu que o projeto deveria contemplar essas particularidades. Para isso, foi necessário convidar profissionais e os próprios surdos, para fazer parte da produção e execução dos jogos. “A Libras é uma língua completamente diferente daquilo que estamos acostumados, uma língua sinalizada, movimentada e que mexe com o corpo e com as nossas habilidades motoras. Nós precisávamos adequar a nossa proposta. Então uma professora de letras nos ajudou, e também um estudante surdo de letras-libras, além dos profissionais da Apada. Tudo isso para que tivéssemos mais proximidade com a realidade”, aponta Maynardes.

Marcos Brito, coordenador do Núcleo de Formação de professores do Centro de Apoio ao Surdo da Secretaria de Educação do DF, que teve importante atuação na concepção do projeto quando atuava como presidente da Apada, explica que a parceria criada entre o design e a libras resultou em um dos mais importantes projetos de promoção do ensino inclusivo. “Se trata de uma iniciativa ímpar, nunca registrada no Brasil. Com a pesquisa e os produtos apresentados é possível demonstrar a viabilidade da interdisciplinaridade entre um campo que parecia muito distante, o design, e o campo pedagógico e linguístico da Língua de Sinais. Uma área muito carente de materiais e de pesquisas”, relata o coordenador.

Ele diz ainda que é grande a necessidade de projetos que apoiem o ensino inclusivo no país, e que instituições como a Apada, prezam pela valorização de práticas pedagógicas que defendem a inclusão de forma efetiva. “Oportunizar o aprendizado à sociedade, uma língua visual e motora, é um verdadeiro presente para quem aprende e para quem necessita dela para sobreviver. O Brasil conta com uma robusta legislação voltada para acessibilidade, o que fizemos com este projeto, simplesmente, foi tirar do papel, o que normalmente viraria letra morta, para colocar em prática, através do material pedagógico elaborado”, explica.

Brito aponta ainda a importância da concepção lúdica dos jogos quando aplicados ao ensino. “Hoje a gamificação é, comprovadamente, um poderoso aliado para o aprendizado e, foi com este argumento que acreditamos no sucesso e na viabilidade desta pesquisa. A nossa intenção é proporcionar mecanismos que resultem numa sociedade mais justa para aqueles que necessitam se comunicar através da Língua Brasileira de Sinais”, defende.

Diversão, aprendizagem e inclusão

Um diferencial dos jogos criados pela equipe, além da proposta inclusiva, é que estes foram feitos tanto para surdos quanto para ouvintes, além de poderem ser usados por intérpretes e professores de Libras. O Sinaliza é um jogo de cartas dinâmico e com regras simples. Pensado para o ensino da Libras básico e intermediário. Dividido por cores, a intenção do jogo é que ao serem distribuídas as cartas entre os participantes, cada um tente formular frases e depois configurá-las em libras.

Maynardes destaca que a construção desse jogo leva em conta a diferença da gramática no ensino da língua portuguesa e da língua de sinais. “O objetivo é a construção de frases, levando em conta que na língua de sinais a gramatica é diferente, não há conectivos, não há artigos, então cada carta tem sujeito ou verbo, adjetivo ou advérbio. E, conforme as quatro pessoas vão jogando, a gente vai construindo as frases, sinalizando. A intenção é que misture tanto o ouvinte quanto o surdo, porque aí eles vão aprender juntos”, explica a professora.

Já o segundo jogo, o Librando, é um game que exige mais atenção dos participantes. A equipe explica que o jogo passou por diversos ajustes até chegar numa versão com um custo menor, caso as escolas queiram replicar o modelo. As duas versões mais completas do Librando incluem várias peças de configurações de sinas de libras em 3D, uma barra de progressão com moedas, cartas de indicação de erro e acerto, além de cartas com indicações de palavras e frases que serão traduzidas para a libras.

Adaptável para regras e com um número maior de participantes, o jogo permite uma interação mais dinâmica entre os jogadores e pode ser aplicado do nível básico ao avançado. “A ideia é que este game seja usado como material didático. Nele há cartas de desafios, que dizem o que a pessoa precisa fazer, cartas de prêmios, que dizem o que a pessoa irá ganhar, e as cartas de certo e errado, que irão estimular a participação dos outros times. O cumprimento do desafio é fazer o sinal e a configuração de mão, se o sinal é uma palavra, a pessoa deve criar uma situação imagética. Então, a turma vai votar, se acha certo ou errado, de acordo com a configuração que foi feita”, esclarece.

Uma terceira versão do Librando foi criada pela equipe pensando na democratização e menor custo do jogo. Esta, formada apenas por cartas, onde ao invés de utilizar imagens em 3D, utiliza a configuração em desenho, é uma versão com custo muito menor, que poderá ser impressa por qualquer pessoa. A ideia, segundo a coordenadora, é levar os jogos para outras regiões do país. Ela destaca a importância pedagógica dos games. “São jogos aparentemente simples, mas com uma riqueza enorme de práticas pedagógicas. A gente testou na Apada, a gente testou com o pessoal de letras-libras, nós como ouvintes também fizemos parte dessa oficina. A versão maior era muito cara, e nós queríamos que ela fosse distribuída, que fosse mais barata. Então pensamos numa versão menor, para viabilizar a distribuição nas escolas, mudamos a embalagem, que ficou mais barata, e reconfiguramos os sinais”, diz.

O futuro

Os jogos já foram finalizados, e segundo a professora, há mais de 100 cópias no total, que serão distribuídas gratuitamente nas instituições de ensino do DF. Porém, a equipe já está organizando uma forma de disponibilizar versões online para que escolas e instituições de todo o país possam utilizá-las. “Além de toda a parte pedagógica, a ideia é democratizar a utilização. Você imprimindo isso numa cartolina, não perde, e a gente pensou assim. O design é para todos, é ser inclusivo, a gente tem como metodologia de projeto a multidisciplinariedade e nosso projeto é assim”, diz Maynardes.

A coordenadora explica que depois de ser distribuído, haverá um acompanhamento por parte da equipe, dos resultados alcançados. “Muito provavelmente a gente vai ter de fazer algumas oficinas para afirmar as regras dos jogos. Depois, não iremos mais interferir, mas vamos monitorar os acessos que teremos por fora, o retorno e a aceitação do público, fazer uma reavaliação junto às escolas. A gente quer continuar com o grupo de pesquisa, estamos trabalhando a relação entre português e libras. Mas pensamos que no futuro, nossa intenção é trabalhar Libras, o surdo”, explica.

Sobre a participação da Finatec nessa iniciativa, a professora destaca que é imprescindível o apoio de um órgão que possa administrar todos os processos que envolvem as etapas de uma proposta como a “Gamificação no ensino de libras”, já que para a professora, chegar aos resultados esperados, exige grande dedicação de tempo, não sendo possível ser feito sem apoio.

Crescimento acadêmico para além da universidade

O estudante do 7º semestre de design da UnB, Vitor Hugo Tomaz Noia, que participou do projeto de gamificação em libras durante todas as etapas de construção dos jogos, explica como essa iniciativa o impactou sua vida acadêmica e pessoal. “Eu tive a oportunidade de participar de todas as etapas de produção, desde a ideia inicial até o projeto final. Participei da tomada de decisões sobre como iríamos deixar os jogos acessíveis e inclusivos. Então, pude aprimorar, pensar nos ajustes, pensar além do que foi proposto, e isso foi e tem sido muito importante para meu desempenho dentro da UnB e fora daqui também, já que estamos falando de inclusão de ensino na educação”, finaliza o estudante.

Projeto MAP: Proposição de um modelo de Gestão do Conhecimento aplicado aos processos do sistema de Pessoal do Exército Brasileiro

ENTENDA O PROJETO

A integração efetiva entre os processos das organizações públicas figura como um dos principais desafios de gestão. Instituições com grande fluxo de pessoal, que utilizam inúmeros sistemas e atendem várias demandas, possuem maior necessidade em integrar os sistemas, processos e pessoas que as compõem.

Com o objetivo de otimizar, modernizar e colocar em prática um novo modelo de gestão do conhecimento e de pessoas, o Departamento Geral do Pessoal (DGP) do Exército Brasileiro firmou uma parceria com o Departamento de Engenharia de Produção da Universidade de Brasília (UnB), por intermédio da Finatec (Fundação de Apoio para Pesquisa, Ensino, Extensão e Desenvolvimento Institucional) para desenvolver o projeto de pesquisa “Projeto MAP: Proposição de um modelo de Gestão do Conhecimento aplicado aos processos do sistema de Pessoal do Exército Brasileiro”.

Coordenado pela professora do Departamento de Engenharia de Produção da UnB, Simone Borges Simão Monteiro, o MAP está em sua segunda fase de execução. O projeto consiste numa modelagem de 200 processos prioritários do DGP, que irão compor o estudo de 16 macroprocessos e suas melhorias. O trabalho desenvolvido é definido de acordo com quatro frentes: melhorias de processos, racionalização dos sistemas de TI (Tecnologia da Informação), mapeamento de competências e dimensionamento da força de trabalho. O propósito é que ao final do estudo, diferentes macroprocessos sejam melhorados, segundo as quatro frentes estudadas, dentre eles podem-se citar: a gestão de perícias médicas, a gestão do sistema de saúde do Exército, a gestão de orçamento e a gestão de desempenho.

De acordo com Simone, o grupo de pesquisadores da UnB, formado por uma equipe com quase 50 pessoas, iniciou o estudo dos processos do DGP após uma pesquisa de campo, onde o grupo levantou dados e informações sobre os processos e sistemas utilizados. Os pesquisadores também realizaram entrevistas junto aos gestores e colaboradores do DGP, para identificar quais processos deveriam ser priorizados.

A coordenadora aponta que a necessidade de uma integração mais eficiente entre as diretorias que formam o DGP é um dos desafios do MAP. Ela explica que por não existir governança no processo de desenvolvimento do software, cada diretoria desenvolve seus próprios sistemas, o que pode resultar em processos repetidos e custos maiores, que poderiam ser otimizados.

Em relação às quatro frentes trabalhadas pelos pesquisadores, ela levanta alguns questionamentos que norteiam o estudo do grupo. “Será que existe alguma atividade que é desenvolvida e que não é necessária, que não agrega valor? Existem atividades que poderiam ser automatizadas, que hoje são feitas de forma manual? Como essas atividades são realizadas hoje pelas pessoas? As pessoas que estão lá dentro realizando esses processos, elas têm competência para poder realizá-los?”, questiona.

O DGP do Exército é responsável por gerir todos os processos que envolvem o militar, desde o momento em que ele entra na corporação, até o momento em que se aposenta. Dentro deste ciclo, é tarefa do projeto MAP (UnB) desenhar o ciclo de vida do militar e dispor de sistemas e processos que possam assegurar todas as informações pertinentes à sua vida profissional. Além do Quartel General do Exército em Brasília, o MAP inclui ainda as Organizações e Regiões militares espalhadas por todo o país.

Um dos responsáveis pelo MAP dentro do Exército, o coronel Raymundo da Silva Maia, explica que o projeto representa uma iniciativa de avanço e adequação às mudanças promovidas pela tecnologia no gerenciamento de processos. “Além de subsidiar o aperfeiçoamento da gestão do pessoal, realizada pelo DGP, este projeto poderá, no futuro, servir de referência para a melhoria da gestão de outros órgãos da Força Terrestre. O projeto MAP contribui para a modernização da gestão do Sistema de Pessoal do Exército Brasileiro, de modo a agregar o indivíduo e suas atividades às novas necessidades de integração com a tecnologia e a gestão do conhecimento”, diz.

Ele aponta diversos benefícios gerados pelo MAP. “Podemos destacar a visão sistêmica da Engenharia de Produção, que vem ao encontro das expectativas do Estado-Maior do Exército, nosso Órgão de Direção Geral, e a existência de equipes multidisciplinares (especialistas): processos, gestão por competências e TI; tudo isso com um custo semelhante ao de um tradicional mapeamento de processos para desenvolvimento de sistemas. Além de estarmos incentivando a pesquisa e contribuindo para a formação de futuros profissionais”, finaliza.

Eficiência dos processos

Para gerir todas as informações de milhares de pessoas que formam o Exército Brasileiro, o Departamento de Pessoal precisa dispor de muitos colaboradores, com diferentes competências e formações profissionais diversas, além de inúmeros sistemas informacionais e de dados, o que implica em recursos financeiros, gestão de tempo e de processos.

Para Ari Melo Mariano, professor do Departamento de Engenharia de Produção, que também faz parte do grupo de pesquisadores, um dos principais benefícios gerados pelo MAP é a economicidade. “Esse tipo de pesquisa gera muitos benefícios. Para o órgão é o cumprimento do princípio da economicidade, gerando maior valor, para um maior número de pessoas, ao menor preço. E toda economia, melhora o uso racional dos recursos, ocasionando em um impacto, também ambiental. Adicionalmente, ao ter um modelo próprio de gestão do conhecimento, o Exército Brasileiro pode repassar a experiência aos demais órgãos do governo ou unidades”, afirma.

O professor destaca ainda a importância do papel da universidade ao desenvolver pesquisas de apoio a gestão às organizações. “Muito mais do que simplificar e otimizar, se trata de um modelo de gestão do conhecimento para o Exército Brasileiro. Acredito que a Universidade vive um momento interno em que os pesquisadores se deram conta disso e começam a propor modelos mais alinhados à realidade do órgão, ocasionando em descobertas recompensadoras”, finaliza o pesquisador.

Necessidade de Integração

A professora Simone Borges Simão Monteiro diz que o problema da falta de integração entre sistemas existe em diversas organizações públicas, e que tem sido frequente a preocupação dos gestores públicos em otimizar estes processos, de forma a garantir menores custos e maior eficiência. “As organizações cada vez mais têm buscado isso. O que a gente percebe é que as organizações têm uma visão desintegrada das áreas. As organizações não vivem sem a tecnologia da informação, porém, as pessoas não conhecem os processos, e como eles se comunicam. Eles desenvolvem sistemas sem aperfeiçoar os processos”, explica.

Em relação ao apoio da Finatec, a pesquisadora relata que é imprescindível o suporte de organizações como a Fundação, que tenham a capacidade de identificar as transformações organizacionais. “Nosso papel é nos dedicar a pesquisa, então, quando há alguém que dê apoio em questões financeiras e administrativas, é primordial para que o projeto funcione de forma efetiva”, diz a pesquisadora.

Para o doutorando Lucas Althoff, que atua como assistente de pesquisa dentro do MAP, o projeto é uma resposta aos desafios que as instituições públicas enfrentam para otimizar seus processos e sistemas. “Uma pesquisa feita dentro de uma organização trabalha muito a impessoalidade, e nós temos um objetivo que impacta a organização, que é um impacto de melhoria, de agregar valor para aquilo que a instituição entrega como missão”, afirma.

Zika, Dengue e Chikungunya: abordagem multidisciplinar para desenvolvimento de soluções aplicáveis em saúde pública

ENTENDA O PROJETO

Mais de 50 pesquisadores e alunos da Universidade de Brasília (UnB) e de outras cinco instituições, em parceria com a Finatec e a FAP-DF, desenvolveram o projeto “Zika, Dengue e Chikungunya: abordagem multidisciplinar para desenvolvimento de soluções aplicáveis em saúde pública”, no intuito de gerar dados e tecnologias para controlar eficazmente as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. A pesquisa, que é realizada desde 2016, já trouxe inúmeros benefícios para a população brasiliense, como o controle dos mosquitos em regiões do DF e a formulação de antígenos específicos.

“O vírus Zika é transmitido principalmente através da picada do Aedes aegypti infectado, que também é vetor de dengue e chikungunya. A febre da Zika pode causar microcefalia e uma doença autoimune, a síndrome de “Guillain-Barré”, além dos sintomas típicos causados por um flavivírus (família de vírus causadora de inúmeras doenças em humanos e animais). Estratégias eficientes de controle do Zika vírus são urgentemente necessárias para países (semi) tropicais como o Brasil”, explicou o coordenador do projeto, o Prof. Dr. Tatsuya Nagata, do Departamento de Biologia da UnB.

A partir da gravidade e os constantes surtos de doenças provocadas pelo vírus no país, bem como a demanda da sociedade por um controle do mosquito, o projeto surgiu para trazer soluções rápidas e aplicáveis na saúde pública. São quatro subprojetos desenvolvidos: controle do mosquito Aedes; evolução natural das infecções; evolução do genoma dos vírus transmitidos pelo mosquito; e nova abordagem de kit diagnóstico de febre Zika, Chikungunya e Dengue.

Controle do mosquito Aedes

Coordenado pelo Prof. Dr. Rodrigo Gurgel, o subprojeto visa monitorar a incidência de Aedes aegypti em áreas urbanas do DF – a pesquisa teve como foco a região de São Sebastião para desenvolver as atividades -, além de avaliar o impacto do controle com o inseticida pyriproxyfen (PPF) e, consequentemente, das taxas de infecção de mosquitos por arbovírus (vírus transmitidos por insetos).

Em apenas 18 meses de estudo, foi constatada a circulação dos vírus da Dengue, Zika e Chikungunya nos mosquitos analisados em São Sebastião. Felizmente, houve uma redução de 72,5% na densidade de Aedes aegypti na região, evidenciando o elevado nível de suscetibilidade ao PPF. Ademais, o subprojeto foi também capaz de desenvolver um larvicida em forma líquida, que é seguro para uso no controle de mosquitos e, inclusive, pode ser utilizado em água destinada ao consumo humano.

Evolução natural das infecções por Zika, Chikungunya e Dengue

Esta ramificação do projeto apresenta vários objetivos. Em geral, a pesquisa comandada pelo Prof. Dr. Wildo de Araújo se responsabilizou por trazer informações a respeito das consequências das infecções da Zika e da Dengue, principalmente em relação à ocorrência de doenças autoimunes e outros fatores de risco.

Em termos práticos, foi possível realizar uma análise descritiva de casos de arboviroses – doenças causadas por insetos – notificadas à Secretaria Estadual de Saúde do DF desde a entrada do Zika vírus na região. Outro resultado importante foi demonstrar, através de vigilância de base laborial, que o Hemocentro de Brasília evitou a transmissão de arbovírus através da doação de sangue, inclusive no período de pico da epidemia.

O subprojeto também analisou os casos da síndrome de Guillán-Barré (SGB), de modo a criar uma estimativa de custo da doença no Brasil. Outro ponto de destaque é a vigilância de base hospitalar para desfechos neurológicos graves relacionados à síndrome, detectando um aumento de casos no DF de modo que pelo menos um foi associado à infecção de vírus da dengue.

Evolução do genoma dos vírus Zika, Chikungunya e Dengue

O terceiro subprojeto da pesquisa caracteriza a diversidade genética dos vírus. Com a autorização do coordenador, o Prof. Dr. Bergmann Ribeiro, foram analisados 46 pacientes infectados com o Zika vírus. Da análise do material genético, 26 genomas virais foram sequenciados. Também foi possível sequenciar seis genomas do vírus Chikungunya, cujo resultado foi descrito em um periódico internacional.

Para potencializar a análise, analisou-se amostras de mosquitos de vários locais do Distrito Federal. Dessas, duas que tiveram detecção positiva para os vírus da Zika, Dengue e Chikungunya foram sequenciadas, permitindo a obtenção do genoma quase completo do Zika vírus.

Parte das sequências dos genomas e árvores filogenéticas foram depositadas em bancos de dados público, o que é valioso para montar estratégias de controle das doenças causadas por arbovírus.

Nova Abordagem de kit diagnóstico de febre Zika, Chikungunya e Dengue

O último subprojeto, desenvolvido pelo Prof. Dr. Tatsuya Nagata, proporciona uma melhor vida para o cidadão brasiliense, dado que esta etapa tem como objetivo desenvolver antígenos específicos para cada um dos vírus estudados na pesquisa.

“O antígeno servirá como ferramenta importante para desenvolver um kit diagnóstico sorológico diferencial para futuro uso em vacina de subunidades. Até o momento, foi possível produzir antígenos dos vírus Chikungunya, Dengue e Zika em quantidade satisfatória utilizando o sistema de baculovírus (agente biológico de controle de pragas), porém no sistema de planta o rendimento está aquém do desejado”, explicou o professor Nagata.

A pesquisa Zika, Dengue e Chikungunya: abordagem multidisciplinar para desenvolvimento de soluções aplicáveis em saúde pública já trouxe inúmeros benefícios à população do DF. Mediante a relevância do tema, a FAP-DF optou por estender o fomento à pesquisa, que estava previsto para acabar até 2020. O novo Termo de Outorga e Aceitação foi assinado em 3 de junho, permitindo a continuidade do projeto.

Elaboração de laudos periciais sobre as condições estruturais e de solidez dos imóveis da União, Manual de metodologia de inspeção predial e capacitação dos agentes de inspeção

ENTENDA O PROJETO

Qual é a situação de salubridade dos imóveis que são patrimônios do Estado? Um projeto do Instituto Federal de Brasília (IFB), em parceria com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e a Finatec, está realizando a vistoria e a verificação da solidez de mais de cem imóveis em todo o país, além de treinar futuros agentes para a inspeção predial e desenvolver um aplicativo que ainda auxilie na análise.

O projeto “Elaboração de laudos periciais de engenharia sobre as condições estruturais e de solidez dos imóveis da União, Manual de metodologia de inspeção predial e capacitação dos agentes de inspeção” é coordenado pela professora Larissa de Aguiar e auxiliado pelo professor Wilson Conciani, ambos engenheiros civis. Também integram a equipe três alunos bolsistas que participaram desde o desenvolvimento da metodologia de inspeção até a parte prática, de modo a serem preparados e capacitados para o mercado de trabalho.

Vistoria necessária
A elaboração de laudos periciais surgiu de uma necessidade da União. O estopim para o desenvolvimento do projeto foi o incêndio que atingiu um prédio ocupado por sem-tetos no centro de São Paulo, no ano passado; a estrutura desabou matando vários moradores do local. Assim, monitorar a estrutura de demais imóveis no país pode evitar outros acidentes e desastres inesperados.

“É preciso esclarecer que nosso papel é técnico, ou seja, avaliamos as condições de uso e segurança do imóvel. Há propensão a incêndios, inundações e desabamentos? A decisão a respeito do destino das edificações não é responsabilidade nossa. Cabe à SPU decidir como proceder”, explanou o professor Conciani.

As inspeções são realizadas através de três meios: visual, com uso de equipamentos e em situações destrutivas (quando é preciso abrir uma peça para avaliar internamente). A vistoria pode durar de 4 horas até alguns dias. Isso ocorre, porque os imóveis são de natureza diversa: patrimônios tombados, rodovias e faróis, por exemplo. “Ao dizer que faço a inspeção de imóveis, logo as pessoas imaginam prédios e casa. No entanto, trata-se de todo tipo de construção pertencente à União; há um pouco de tudo”, esclareceu a professora Aguiar.

Devido à grande variedade de imóveis, as tradicionais normas de inspeção predial nem sempre são suficientes. Assim, de acordo com a construção, os agentes testam outras formas de vistoria e avaliam sua adequação. Com os procedimentos de análise já desenvolvidos e comprovadamente eficientes, estes serão integrados ao aplicativo para uso da SPU em futuras inspeções.

Treinamento e auxílio de aplicativo
O projeto visa também capacitar os agentes de inspeção da SPU para futuros monitoramentos. “Estamos desenvolvendo um método específico para avaliar os imóveis da União. Assim que estiver pronto, iniciaremos um treinamento com a equipe da Secretaria de Patrimônio da União, que irá se responsabilizar pela vistoria”, explicou o professor Conciani.

A capacitação permitirá um conhecimento prévio das situações prediais e, aliada ao aplicativo, será uma ferramenta poderosa para verificar a segurança e solidez dos imóveis. “O aplicativo servirá como guia para a vistoria, orientando o agente de acordo com a metodologia criada. Também proporcionará um modelo para gerar os laudos de inspeção”, resumiu a professora Aguiar.

A previsão de entrega do aplicativo para uso da SPU e realização do treinamento com agentes de inspeção é para até julho do próximo ano. Até lá, a equipe do projeto, composta por cinco integrantes, irá continuar as vistorias dos mais de cem imóveis, bem como validar os métodos a serem usados para as futuras análises.

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