Pesquisa dá um passo importante em busca de medicamento eficaz ao tratamento de Covid-19

Pesquisadores da UnB identificaram molécula capaz de diminuir em até 50% a carga viral

Uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) identificou em moléculas de proteína produzidas pelo corpo humano a capacidade de diminuir até 50% a carga viral do Sars-Cov-2 em um organismo com baixa concentração do vírus transmissor da Covid-19.

O resultado ainda é embrionário, mas abre uma possibilidade de chegar futuramente a um medicamento capaz de combater o Sars-Cov-2 e servir de barreira contra o vírus.

Esse, aliás, é o objetivo da pesquisa Verificação de Atividade Antiviral de Peptídeos Intragênicos Antimicrobianos (IAPS). O estudo é financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e conta com o apoio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec).

“A gente prospectou seis moléculas e testou mais algumas que tínhamos no banco. Dessas 12 moléculas, uma teve o resultado mais interessante: a capacidade de inibição de 50% da carga viral, mas numa concentração bastante baixa. A gente vai continuar trabalhando nela. São 1,8 mil possibilidades de moléculas que foram prospectadas a partir de proteoma humano (conjunto de proteína) ”, disse o coordenador do trabalho, professor Guilherme Brand, que é do Instituto de Química da UnB.

Início com plantas

Segundo ele, a pesquisa voltada para o Sars-Cov-2 começou em 2017, quando cursava doutorado na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mas com material extraído da genética de plantas. “Ao arrancar fragmentos de proteínas de alguns seres, como da soja, e sintetizá-los quimicamente, encontramos uma função que oferecia proteção contra determinados patógenos de plantas”, explicou Brand.

Então, com o advento da pandemia de Covid-19, o professor e sua equipe, que conta também com a parceria do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo, passaram a aplicar o mesmo conceito em saúde humana. “Se você pegar o conjunto de proteína produzido em um organismo e fizer uma varredura, por intermédio de um software, analisando cada pedacinho dessas proteínas, pode reconhecer um segmento interno que, quando retirado dela, vai ter uma atividade biológica desejada com essa molécula”, detalha ele.

A função que se espera dessas moléculas sintetizadas é desestabilizar a membrana que protege o Sars-Cov-2, levando a sua morte. “A intenção do trabalho é gerar fármacos a partir do próprio genoma humano”, revela Brand. “O vírus percorre um caminho antes de se instalar definitivamente. Ele entra pelas vias respiratórias, as chamadas vias aéreas e só depois desce para o pulmão. Então, tem-se aí uma oportunidade de combate-lo. O método mais eficaz seria a partir de uma aplicação intranasal, por uma espécie de spray, que vá converter durante algum tempo uma proteção”, completa.

Apesar do resultado da pesquisa ser animador, o coordenador do estudo mantém a cautela. “A gente sabe que existe um longo caminho até se comprovar a eficiência de uma pesquisa feita ainda in vitro (em mecanismo que simula a pele humana). Mas eu acredito que essa experiência terá uma capacidade preventiva e de diminuição de carga viral”, sintetiza ele.

Apoio da Finatec

Acostumado a gerenciar os próprios projetos, o professor Guilherme sabe bem como essa atividade é estressante. Com o apoio da Finatec, que cuida dessa parte burocrática, como compra de equipamentos, insumos, ele terá mais tempo para se dedicar à pesquisa. “Devo dizer que toda a minha relação com a Finatec tem sido muito tranquila. Mediante troca de e-mails com vários setores, ela tem cuidado de toda a parte de compras relacionadas ao projeto. A minha experiência tem sido bastante satisfatória, simplesmente de não ter de lidar com isso”, comenta.

O projeto Verificação de Atividade Antiviral de Peptídeos Intragênicos Antimicrobianos (IAPS) faz parte do convênio 003/2020, celebrando entre a FAPDF e a Finatec, que tem como objetivo a conjunção de esforços entre os partícipes, por mútua cooperação técnico científica, visando apoiar a execução e o desenvolvimento de projetos e ações de Pesquisa, Inovação e Extensão destinadas ao combate à Covid-19.

Foto: Igo Estrela/ Metropóles

Ministério da mulher, PNUD e Finatec formalizam parceria em prol de crianças e jovens indígenas

O Ministério da Mulher, da Família e do Direitos Humanos (MMFDH) formalizou, no dia 23 de dezembro de 2021, uma parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec).

A parceria visa proporcionar a  realização de estudos, pesquisas e relatórios que vão apoiar o Governo Federal na promoção de um melhor atendimento a crianças e jovens indígenas em situação de vulnerabilidade social. O acordo foi firmado durante a 14ª reunião do Grupo de Trabalho designado para tratar sobre o tema. O investimento do Governo Federal será de R$1,6 milhão.

“Historicamente, temos quase 70 projetos realizados com o MMFDH e o PNUD. O tema da criança e do jovem indígena é importante porque podemos impactar diretamente na vida de milhares de pessoas e nos deixará com a sensação de missão cumprida, de um legado que ficará para a população”, apontou o diretor-presidente da Finatec, Augusto Brasil.

As 10 iniciativas integram o Projeto Estratégico Plano de Ação de Defesa das Garantias de Direitos das Crianças e Jovens Indígenas, que é composto por quatro eixos e 38 ações. O Grupo de Trabalho sobre Crianças e Jovens Indígenas em Situação de Vulnerabilidade, criado pela Portaria nº 869, de 22 de março de 2021, é um órgão de assessoramento, consultivo e de estudo, destinado também a fomentar discussões sobre o tema.

O Plano de Ação de Defesa das Garantias de Direitos das Crianças e Jovens Indígenas será implementado, inicialmente, em comunidades indígenas dos estados de Mato Grosso (Xavante), Mato Grosso do Sul (Dourados-Guarani Kaiowá) e Roraima (Yanomami).

Foto: Gov.br/Google

O que é bom a gente repete até virar tradição

O Natal Solidário da Finatec já está na sua terceira edição e a cada ano as doações aumentam.

Em 2018, na sua primeira edição, os colaboradores se uniram em prol de montar uma árvore de natal com latas de leite em pó, doando, ao fim da ação, para a instituição Santos Inocentes que defende “a vida desde a concepção até o seu término natural e atuação por meio da conscientização sobre o valor de cada vida humana”.

Ano passado os colaboradores foram divididos em duas equipes para arrecadar diversos tipos de itens como roupas e calçados de adultos, roupas e calçados infantis, brinquedos, utensílios domésticos, itens de higiene pessoal e alimentos não perecíveis, doando mais uma vez para a Santos Inocentes. Foram arrecadados 3.072 itens, a entrega foi realizada em janeiro de 2021.

Em 2021 as equipes foram formadas novamente e os colaboradores tiveram do dia 25 de novembro ao dia 16 de dezembro para se organizarem e unir forças para dobrar as doações. Ao todo foram arrecadados 3.651 itens em diversas categorias: roupas e calçados de adultos, roupas e calçados infantis, brinquedos, utensílios domésticos, itens de higiene pessoal, alimentos não perecíveis e máscaras descartáveis. 

Os itens doados foram distribuídos para duas instituições: O Lar dos Velhinhos Maria de Madalena e a Casa do Menino Jesus. A entrega das doações aconteceu no dia 20/12/2021.

A representante do Lar dos Velhinhos Maria de Madalena, Micaela, agradeceu as doações: “Gostaria de agradecer a Finatec pelas doações, esse final de ano elas caíram muito em relação aos anos anteriores. Com isso, é de grande valia e vai ser muito bem utilizado.”

A coordenadora da Casa do Menino Jesus, Sávia Andrade explicou como funciona a casa: “Nós acolhemos crianças com câncer de outros estados que vem fazer o tratamento aqui no DF e não tem onde ficar. Nós nos mantemos exclusivamente com as doações, então uma doação tão grande e abençoada como essa vai ajudar muito, ainda mais nesse ano em que as doações caíram tanto. Obrigada Finatec”. 

“Atuante como sempre, necessária como nunca”: começam as comemorações dos 60 anos da fundação da UnB

Começaram hoje, 15/12, as comemorações aos 60 anos da Universidade de Brasília. O aniversário da instituição é só em 21 de abril, mas a data da primeira solenidade foi escolhida em referência ao dia em que a lei de criação da UnB foi assinada, em 1961.

Os representantes da Comissão UnB 60 Anos aproveitaram a oportunidade para reafirmar que a criação da Universidade foi um marco histórico na educação do Brasil. 

Fizeram parte da mesa a reitora e o vice-reitor da UnB, Márcia Abrahão e Enrique Huelva, o presidente da Fundação Darcy Ribeiro (Fundar), José Ronaldo, a presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade, o presidente do Instituto João Goulart, João Goulart Filho, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz, a presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Flávia Cale e o professor José Geraldo de Souza Junior, representante da Comissão UnB 60 Anos. Mediados pela Decana de Extensão, a Profa. Olgamir Amancia Ferreira.

Nova marca: UnB 60 Anos

A Universidade de Brasília apresenta campanha institucional que rememora sua missão de ser “atuante como sempre, necessária como nunca” e ratifica seu compromisso com a pesquisa, o ensino, a extensão e com a sua dedicação ao país.

A identidade visual se baseia num farol que orienta, um radar que informa e uma antena que alcança. Os arquétipos balizaram a construção da marca da campanha UnB 60 anos, desenhada pela Secretaria de Comunicação (Secom) da Universidade de Brasília. A identidade visual também foi inspirada por outros elementos, como a natureza, o território brasiliense e a noção de movimento.

“Além de ressaltar os aspectos científicos e sociais da Universidade, a campanha visa aflorar o sentimento de pertencimento das pessoas à UnB, bem como explorar os vínculos entre a identidade do Distrito Federal e da instituição, que são muitos”, explica o coordenador de Comunicação Visual, Marcelo Jatobá.

Brasília produzirá primeiro teste de Covid-19

 Departamento de Biologia Celular da UnB está realizando pesquisa de diagnóstico da doença com proteínas desenvolvidas em células de insetos e plantas

A Universidade de Brasília está muito perto de começar a produzir o primeiro kit de diagnóstico de Covid-19 com proteínas desenvolvidas em células de insetos e plantas a partir da aplicação de gene do Coronavírus (transmissor da doença) nesses seres vivos.

Com a gestão da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), o Projeto “Geração de insumos biotecnológicos utilizando diferentes sistemas” deve levar  seis meses para liberar os primeiros protótipos de teste de Covid-19 nas pessoas.

O exame que identificará se uma pessoa está contaminada pela doença é o resultado de uma pesquisa iniciada no ano passado pelo Departamento de Biologia Celular da UnB. Os biólogos conseguiram clonar o gene que codifica as proteínas da capa do Coronavírus.

A partir da coleta dessas amostras, introduziram o material em células de plantas e insetos e começaram a obter um novo tipo de proteína capaz de reagir à presença do vírus em sangue contaminado, detectando, assim, a presença do Coronavírus, que é o vetor da Covid-19.

O trabalho científico é coordenado pelo professor Bergmann Ribeiro, da UnB, em parceria com o professor Tatsuya Nagata (também da universidade) e com outros professores da Universidade Federal de Goiás, onde estão os soros (com amostras de sagues) de pessoas infectadas com o Coronavírus disponíveis para a experiência.

“A principal vantagem é o custo e o encerramento da demora para ser aprovada por um controle de qualidade. O teste será bem mais em conta. E a detecção, muito mais rápida. Esse vírus veio para ficar. Então, vamos precisar desses teste o tempo inteiro”, salienta o docente.

A pesquisa já rendeu reconhecimento internacional. A revista científica Journal of Virological Methods  publicou um artigo na semana passada sobre o procedimento de purificação dessa proteína em células e insetos. “Ninguém tinha ainda publicado um trabalho numa revista científica relacionada à purificação dessa proteínas do Coronavírus em células de insetos”, enfatiza Bergmann.

Equipamentos

O coordenador da pesquisa destaca a importância do apoio da Finatec no trabalho. A fundação agiliza o papel de gestão dos recursos na aquisição de material, insumos e equipamentos utilizados pela equipe de pesquisadores, fazendo pesquisa de preços e cotação. “O pesquisador não tem dor de cabeça com a burocracia. Vai ter mais tempo para se dedicar à pesquisa”, ratifica.

Um dos maquinários adquiridos pela Finatec com serventia ao trabalho foi a Leitora de placa, responsável por fazer a interação da proteína produzida em plantas e insetos com o anticorpo que está no sangue da pessoa. “Se tiver anticorpo com o vírus nessa pessoa, a máquina detecta”, explicou o docente.

O projeto “Geração de insumos biotecnológicos utilizando diferentes sistemas” faz parte do convênio 003/2020, celebrando entre a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (Fap-DF) e a Finatec, que tem como objetivo a conjunção de esforços entre os partícipes, por mútua cooperação técnico científica, visando apoiar a execução e o desenvolvimento de projetos e ações de Pesquisa, Inovação e Extensão destinadas ao combate à COVID-19.

Economia criativa: Cocreation Lab DF forma primeiras turmas de empreendedores

Ao todo, 37 projetos apresentam seus pitches finais a partir desta segunda-feira (22)

Parte de um amplo programa de fomento à inovação no Distrito Federal, o Cocreation Lab conclui as primeiras turmas a partir desta segunda-feira (22), com o início dos pitches finais de 37 projetos de economia criativa. As apresentações serão transmitidas ao vivo e seguem até quinta-feira (25).

Durante cinco meses, os projetos receberam apoio de 130 mentores, que ajudaram os futuros empreendedores na formatação dos negócios, com centenas de horas de mentoria, diagnósticos e mais de 50 eventos gratuitos. Nesse período, especialistas em diversas áreas da economia criativa ajudaram a tirar sonhos da cabeça e a colocá-los no papel, em áreas como moda, agronegócio, design, games e nanotecnologia.

 “Mais de 60% dos projetos inscritos chegaram a esta fase, o que é um número extraordinário, que mostra o potencial do ecossistema do Distrito Federal”, comemora Luiz Salomão Ribas Gomez, idealizador do CocreationLab e consultor da TXM Business, startup responsável pela metodologia usada no projeto.

O CocreationLab do Distrito Federal é parte integrante do programa de animação do Ecossistema de Inovação do Distrito Federal, uma parceria entre a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), com apoio da Universidade de Brasília – através do CDT (NIT DA UnB) – e do Instituto Federal de Brasília.

No DF, dois polos de Cocreation Lab estão localizados na UnB: um no campus Darcy Ribeiro e outro no campus FGA. Os outros dois ficam nos campus do IFB: em Samambaia e São Sebastião. Ainda em 2021, será lançado o edital de seleção para cinco novas turmas, uma delas com apoio do Sebrae.

Veja os projetos que serão apresentados em cada espaço do DF:

Ipê Rosa

Bio Farm

Kursay

EntregaFer

Chayim

Coopertronik

Ipê Roxo

Akvofluo

Chame a Lú

Conecta Jobs

Dyona

Foodtech

IdeiaSpace

Nutriva Kids

Sócius

Veggi e Taís

VibeUp!

Ipê Branco

ProSenior

Bamburiti

Cromática

Escrita Consciência

Groof

Nanosensors

Levare Bioprocessos

BUMI

Experience Box

EngiTech

P-Last

Arena Gamer BSB

Recarregue

Envoltoria Embalagens Agroecológicas

Ipê Amarelo

Virtual Design Fla´s

Vem Sem Glúten

Venda Mais na Sua Região

Fenix Pintura por Elas

Reforço e Acompanhamento Escolar e Inovação

Digital Startups Inovação e Consultoria

IBICT é a mais recente ICT apoiada pela Finatec

A Portaria Conjunta nº 152/2021 MEC/MCTI, publicada em 13 de outubro de 2021, autoriza a Finatec a atuar como Fundação de Apoio do IBICT – Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – IBICT, unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações – MCTI, pelo período de 1 (um) ano. Os secretários Wagner Vilas Boas de Souza da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação e Marcelo Marcos Morales da Secretaria de Pesquisa e Formação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, usaram de suas atribuições e se apoiaram nas disposições da Lei.

A portaria entrou em vigor no dia 07 de outubro de 2021.

Desenvolvido por pesquisadores da UnB, app ajuda no rastreio e restauração do Cerrado

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul e ocupa a mesma posição aqui no Brasil, correspondendo a cerca de 22% do território brasileiro. Classificado como savana, é um dos biomas em maior risco de extinção no Brasil. Chamado de Berço das Águas, por ser ponto de encontro das principais bacias hidrográficas do país, o Cerrado apresenta desafios em solos degradados.

Realizado pelo Centro de Gestão e Inovação da Agricultura Familiar (Cegafi-UnB) em parceria com a Finatec e com apoio do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF Cerrado) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), o projeto Restaura Cerrado identificou essas questões e desenvolveu o aplicativo Radis Cerrado. O app é gratuito e tem o objetivo de auxiliar no monitoramento da recomposição da vegetação nativa e na regulação ambiental de propriedades rurais, além de coletar dados socioprodutivos dessas propriedades rurais para auxiliar no planejamento e comercialização dos produtos.

“O aplicativo é um importante passo para facilitar o processo de entrega de dados de monitoramento aos órgãos ambientais estaduais e promover o cumprimento das ações para regularização ambiental em larga escala no Cerrado”, ressalta o coordenador do Cegafi e do  projeto Restaura Cerrado, professor Mário Ávila.  

O app foi submetido a testes de campo com o método User eXperience (UX) com técnicos especialistas em restauração ambiental, agricultores e assentados da reforma agrária. A equipe do projeto também realizou um workshop com diversos especialistas, pesquisadores (inclusive da Embrapa) e analistas ambientais da SEMA e IBRAM, para eles testaram e deram contribuições importantes para a versão final do aplicativo.

Como o aplicativo funciona?

O Radis Cerrado está disponível gratuitamente para sistema Android no Google Play e tem, entre suas funcionalidades, acompanhar o cadastro ambiental rural, projetos de restauração e monitoramento, além do crescimento da vegetação ao longo dos anos. O usuário também pode preencher um diagnóstico socioeconômico, onde é possível inserir informações sobre extrativismo, produção vegetal e animal,  permitindo o planejamento de produção e comercialização de ingredientes da agricultura familiar. 

Fidelis da Luz

Ele se cadastra, insere os dados do imóvel e insere os dados das áreas que têm que ser restauradas (como tamanho, localização, tipo de vegetação original). O aplicativo calcula quantas parcelas (de 4  m x 25 m) ele precisa de amostras da área em recomposição. E depois ele pode ir inserindo os dados solicitados pelo órgão ambiental, que o aplicativo já calcula os indicadores ecológicos da recomposição da vegetação nativa (cobertura de solo ou de copa, densidade de indivíduos regenerantes, número e proporção de espécies nativas e exóticas). 

No módulo de dados socioprodutivos, ele pode armazenar informações sobre o que e quanto produz ao longo do tempo, para ajudar na gestão produtiva e compartilhar seus dados no sistema.

Uma importante característica do app é sua interface simplificada com objetivo de facilitar que os registros sejam realizados por agricultores, quilombolas, assentados da reforma agrária e técnicos ambientais. “No nosso acampamento fizemos alguns testes e ficou provado que as famílias tinham condição de utilizar o app, por sua interface de fácil manipulação. Nossas famílias, apesar de terem baixa escolaridade, já têm familiaridade com o celular. Então, para eles, o Radis Cerrado é fácil de ser utilizado”, conta Bruno Maciel, agricultor e líder do acampamento Roseli Nunes. 

Bruno Maciel

Impactos para a sociedade e meio ambiente

O aplicativo visa facilitar o processo de coleta de dados de monitoramento da recomposição da vegetação nativa, seu processamento e envio para o órgão ambiental. Isso facilitará o processo de regularização ambiental de imóveis rurais que possuem passivo ambiental. Ao facilitar esse processo, ele ajuda os produtores rurais a cumprirem a legislação ambiental e, assim, ajuda o meio ambiente. Os dados da vegetação em fase de recomposição serão recepcionados e armazenados no próprio servidor do GDF, na plataforma do Sistema Distrital de Dados Ambientais.

A pesquisadora responsável, professora Iris Roitman, explica o impacto positivo do uso do app “Isso trará maior transparência sobre o status da regularização ambiental e recomposição da vegetação nativa no DF. Além disso, as informações anuais especializadas sobre a dinâmica da recomposição da vegetação vão compor um banco de dados importante que servirá para pesquisas ecológicas acerca da restauração ambiental.”

Para a fase de testes do aplicativo foram escolhidas duas comunidades do Distrito Federal: o acampamento Roseli Nunes e o assentamento Oziel Alves, ambos em Planaltina (DF), que abrigam cerca de 300 famílias voltadas à produção agroecológica de base familiar.

No acampamento Roseli Nunes, foram desenvolvidas ações de recomposição da vegetação nativa lideradas pela Associação Rede Rio São Bartolomeu de Mútua Cooperação (Rede Bartô), que trabalha com recuperação de áreas degradadas. O Restaura Cerrado acompanhou essas ações e testou o aplicativo para monitorar o estágio inicial da restauração.

“Na nossa comunidade, o Radis Cerrado é muito importante para que as famílias entendam um pouco do potencial do que é a preservação ambiental e de fazer esse monitoramento ambiental. Além disso, terá importância fundamental para a implementação da regularização fundiária do nosso acampamento”, avalia Bruno Maciel.

A família Queiroz, moradora do acampamento Roseli Nunes desde 2014, será uma das que utilizará o Radis Cerrado como ferramenta auxiliar no trabalho de restauração da paisagem local. “Quando chegamos por aqui, tinha muito gado e começamos a fazer o reflorestamento com plantio de árvores nativas e frutíferas. Com o apoio do projeto da Rede Bartô, hoje temos duas agroflorestas e uma pequena reserva com muitas árvores. Com o aplicativo, o objetivo é aumentar nossa plantação e restaurar a vegetação daqui”, disse Lindaura Queiroz. 

Lindaura e João Batista Queiroz

A agricultora Odimaria Gonçalves toca sozinha seus 4 hectares de terra no mesmo acampamento desde 2012. Ela também integra o grupo de agricultores que utilizará o aplicativo em seu trabalho de reflorestamento, o qual ela destaca com muito orgulho. “Acredito que, na minha reserva, já plantamos umas 200 árvores nativas, como jatobá, copaíba e araticum. Também trabalho com verduras e frutas sem veneno e sem adubo químico. Depois que minhas filhas foram criadas, eu procurei um local para plantar e viver. Tenho muito orgulho do meu trabalho porque plantamos para que as pessoas possam comer comida saudável e sem veneno”, celebra. 

Odimaria Gonçalves

Hoje o aplicativo é customizado para atender as normas ambientais do DF, mas a pretensão é ampliar para outras unidades federativas. A ideia é que a tecnologia seja replicada entre gestores ambientais de outros endereços do bioma Cerrado considerados corredores ecológicos, como Cavalcante (GO), Alto Paraíso (GO),  Niquelândia (GO), Formosa (GO), Pirenópolis (GO), Cristalina (GO), Palmas (TO), Gurupi (TO), Jalapão (TO), Arinos (MG), Montes Claros (MG), Serra Bonita (TO), Chapada Gaúcha, Paracatu (MG), Unaí (MG), Buritis (MG), Barreiras (BA), Luis Eduardo Magalhães (BA), Correntes (PI), São Raimundo Nonato (PI), Carolina (MA), Balsas (MA) e Cocos (BA).

Com o objetivo de facilitar e deixar os pesquisadores envolvidos com a pesquisa, a Fundação de Apoio é a ponte entre as instituições envolvidas. “A Finatec é importante para viabilizar a execução de projetos científicos e tecnológicos que aproximam o conhecimento acadêmico e a sociedade para gerar soluções tecnológicas voltadas para as pessoas, órgãos ambientais e o meio ambiente.” comenta Roitman.

Quer saber mais sobre o projeto? Acesse o Instagram: @restaura_cerrado

Protocolo de Intenções é consolidado e aquece independência tecnológica Base Industrial de Defesa

Na última segunda-feira, 13, aconteceu a Cerimônia de Assinatura do Protocolo de Intenções entre o Ministério da Defesa (MD) e a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos da Universidade de Brasília (Finatec).

O Protocolo é parte da execução do plano estratégico, com ênfase na tríplice hélice – quando empresa, academia e governo contribuem para a inovação tecnológica e o desenvolvimento econômico do país – no fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) e o atingimento da independência tecnológica.

A Fundação tem a missão de disseminar o conhecimento para sociedade “Com a assinatura do Protocolo de Intenções, podemos visualizar uma aplicação direta na sociedade, não só na sociedade civil, mas na área da defesa, das instituições, na academia e principalmente nas startups”, explicou Augusto César, Diretor presidente da Finatec.

Augusto César, Diretor presidente da Finatec

Parcerias como essa vão proporcionar um grau cada vez maior de autonomia tecnológica, além de permitir que diminua gradativamente a dependência que ainda o Brasil de produtos estrangeiros. Esteve presente na solenidade o Secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa (SEPROD), Marcos Rosas Degaut Pontes; o Diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação (DECTI), General de Divisão Luiz Antônio Duizit Brito; o Diretor-Geral da APTSJC, Marcelo Nunes da Silva; o Diretor-presidente da Finatec, Augusto César de Mendonça Brasi; o Chefe de Assuntos Estratégicos, General de Exército Eduardo Antônio Fernandes; o Secretário de Pessoal, Ensino e Desporto, Tenente Brigadeiro do Ar, Jeferson Domingues de Freitas; demais autoridades militares e civis.

Fonte: https://www.gov.br/defesa/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/protocolo-de-inovacao-e-tecnologia-estimula-base-industrial-de-defesa

Fotos: Igor Soares

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