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Projeto VIVA desenvolve aplicativo para prevenção de crises suicidas com suporte da Finatec

Publicada em 30 de janeiro de 2026

Um aplicativo para o manejo e a prevenção de crises suicidas, com foco na identificação precoce de riscos e no acionamento ágil de redes de apoio. Essa é a ideia por trás do Projeto VIVA!

Coordenado pela professora Bárbara Bandeira, médica psiquiatra e pesquisadora com atuação na área de saúde mental, o Projeto VIVA é resultado da articulação entre prática clínica, pesquisa acadêmica e inovação tecnológica. Com experiência no atendimento a pacientes em crise suicida, a coordenadora parte da compreensão de que o comportamento suicida envolve diferentes níveis de gravidade, que vão desde pensamentos de morte até tentativas e o suicídio consumado. A proposta do aplicativo é justamente atuar antes que a tentativa ocorra. Segundo Bárbara, “o nosso aplicativo vai atuar na ideação suicida e no planejamento suicida, tentando prever e evitar as tentativas de suicídio”.

 A concepção do VIVA tem origem direta na prática clínica em saúde mental. Bárbara explica que, no atendimento psiquiátrico, é comum a construção conjunta de planos de segurança com pacientes e familiares como estratégia para lidar com momentos de crise. “Quando atendemos pacientes com comportamento suicida, nós traçamos juntos um plano de segurança, com medidas individuais, apoio de pessoas de confiança e ações mais urgentes quando o risco aumenta. O aplicativo vai facilitar isso, colocando esse plano na mão do paciente, com o celular”, afirma.

 Com base nessa experiência, o aplicativo contará com um fluxograma de estratificação de risco, capaz de identificar o nível em que o paciente se encontra no momento do acesso. A partir dessa avaliação, o sistema direciona o usuário para diferentes tipos de conduta, que podem incluir orientações para manejo da ansiedade e do sofrimento emocional, estímulo à busca de apoio em ambientes mais protegidos ou, em situações mais críticas, o acionamento imediato de pessoas previamente definidas como prioritárias. “A partir do fluxograma, ele vai ser direcionado para uma atuação que pode ir desde medidas individuais até medidas mais urgentes, com encaminhamento para contato com familiares e profissionais de saúde”, explica a coordenadora.

 Por se tratar de uma ferramenta que lida com conteúdo sensível, o uso do VIVA será restrito e condicionado à prescrição médica, não havendo livre acesso ao aplicativo. “Alguns pacientes específicos poderão usar, com critérios claros de inclusão e exclusão, para garantir a segurança de quem vai receber”, destaca Bárbara. O público-alvo inclui pacientes com determinados transtornos mentais e risco de comportamento suicida, sempre a partir de uma avaliação clínica criteriosa.

 Além da função principal de manejo de crises, o aplicativo prevê funcionalidades complementares, como o acompanhamento do humor e das emoções ao longo do tempo, conteúdos de psicoeducação voltados aos familiares, suporte à adesão ao tratamento medicamentoso e registros clínicos que podem auxiliar no acompanhamento profissional. A expectativa é que essas ferramentas contribuam para um cuidado mais contínuo e integrado. “A gente espera uma redução das tentativas de suicídio, com um recurso de fácil acesso, prescrito pelo médico e acompanhado ao longo do tempo”, ressalta a professora.

 Atualmente, o Projeto VIVA encontra-se em fase de desenvolvimento. A próxima etapa envolve o avanço do software e, posteriormente, a fase clínica, que inclui a realização de ensaio clínico e a aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa. “Primeiro estamos construindo o aplicativo e depois vamos para a fase clínica, que é mais complexa”, explica Bárbara. O desenvolvimento do VIVA envolve equipes da Faculdade de Medicina e da Faculdade de Ciências e Tecnologia em Engenharia da Universidade de Brasília (UnB), reforçando o caráter interdisciplinar da iniciativa.

 O Projeto VIVA contou com o suporte da Finatec na articulação institucional e na viabilização do financiamento, atuando como facilitadora na conexão entre a academia e as instâncias governamentais. “Foi um processo simples, sempre muito bem explicado, com orientação sobre tudo o que era necessário e apoio em cada etapa”, relata a coordenadora. Embora o projeto já estivesse em desenvolvimento, a atuação da Fundação foi determinante para acelerar sua execução e ampliar o engajamento da equipe. “Com o apoio financeiro por meio da emenda federal, o andamento é mais rápido e há mais empolgação, principalmente dos alunos que recebem bolsas e se envolvem diretamente no projeto”, afirma. Ela também ressalta a disponibilidade da equipe da Finatec para auxiliar inclusive em demandas que extrapolam suas atribuições formais, oferecendo orientação em trâmites institucionais e documentais.

 Em um mês que convida à reflexão sobre a saúde mental, o Projeto VIVA se apresenta como uma resposta concreta e responsável à necessidade de ampliar estratégias de cuidado preventivo, baseadas em evidências científicas, ética e sensibilidade humana. Mais do que uma solução tecnológica, a iniciativa representa um avanço no fortalecimento de redes de proteção e no compromisso institucional com a promoção da saúde mental e a valorização da vida.

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