Notícias

  • Notícias
  • /
  • Qualificação profissional ajuda a transformar a realidade...

Qualificação profissional ajuda a transformar a realidade de 500 jovens em cinco regiões mais vulneráveis do DF

Publicada em 6 de outubro de 2026

Projeto executado pelo IFB, com financiamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública e gestão administrativa e financeira da Finatec, oferece formação gratuita e bolsa permanência para ampliar oportunidades para a juventude

Para 500 adolescentes e jovens que vivem em regiões de maior vulnerabilidade social do Distrito Federal, participar de um curso profissionalizante pode representar muito mais do que conquistar um certificado. Em muitos casos, significa ter condições de permanecer estudando, buscar o primeiro emprego e enxergar novas perspectivas para o futuro. Criado no início de 2024, o Pronasci Juventude alia qualificação profissional, formação cidadã e apoio financeiro para reduzir barreiras enfrentadas por jovens em situação de vulnerabilidade.

A iniciativa é executada pelo Instituto Federal de Brasília (IFB) a partir de um Termo de Execução Descentralizada (TED), com financiamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad). A Finatec é responsável pela gestão administrativa e financeira dos recursos do projeto.

As ações estão concentradas em cinco regiões administrativas — Sol Nascente, Sobradinho, São Sebastião, Ceilândia e Estrutural —, com atendimento a 100 jovens em cada território. Segundo o professor Rômulo Nobre, coordenador da iniciativa, a escolha considera os índices de vulnerabilidade social dessas localidades. Em Sobradinho e Sol Nascente, a presença do projeto também contribui para aproximar o IFB das comunidades onde há campi previstos em lei, mas ainda não implantados.

A seleção dos participantes é feita por meio de entrevistas e da aplicação de um questionário que permite identificar o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS). Jovens entre 15 e 21 anos podem participar, com prioridade para aqueles que apresentam maior grau de vulnerabilidade.

“Temos jovens com dificuldades de subsistência, que não têm alimentação em casa e dependem do projeto para ter uma refeição, além daqueles que já precisam trabalhar mesmo com pouca idade. Por isso, buscamos atender prioritariamente quem apresenta maior vulnerabilidade”, explica Rômulo Nobre.

Formação vai além da sala de aula

Além da qualificação profissional, o projeto trabalha aspectos pessoais, sociais e cidadãos. Os participantes têm contato com temas relacionados às profissões, preparação para o mercado de trabalho, elaboração de currículo, políticas públicas e planejamento do futuro.

Uma das ferramentas utilizadas é o chamado mapa de vida, que estimula os jovens a refletirem sobre sua trajetória, seus objetivos e os caminhos necessários para alcançá-los. Atividades culturais também fazem parte da formação. Entre elas estão oficinas de batalha de rimas, que utilizam a expressão artística como ponto de partida para discussões sobre identidade, território e realidade social.

“Esses jovens passam a olhar para a própria formação, planejar um futuro e perceber as possibilidades que têm para alcançar seus sonhos. Ao mesmo tempo, fortalecemos a interação social e a visão crítica sobre o que é uma política pública e sobre a realidade do território em que estão inseridos”, afirma o professor.

Segundo Rômulo, a proposta é fazer com que essa formação também ajude os participantes a compreender os riscos presentes em regiões marcadas por vulnerabilidade e violência e a construir outras possibilidades de trajetória. Em alguns casos, os jovens passam inclusive a assumir um papel positivo entre os próprios colegas e na comunidade.

“Eles acabam se tornando, em alguns casos, lideranças positivas dentro da região onde vivem. O projeto busca fazer com que enxerguem a realidade em que estão inseridos e tenham condições de atuar para não se tornarem vítimas dela”, acrescenta.

Bolsa permanência ajuda a reduzir barreiras

O apoio financeiro é outro componente importante para garantir a participação. Os estudantes recebem bolsa permanência de R$500 mensais, que contribui para enfrentar dificuldades econômicas que poderiam impedir a continuidade da formação.

“O projeto acaba sendo viável porque tem uma bolsa, um recurso financeiro pago aos estudantes. Dessa forma, conseguimos combater parte das dificuldades financeiras que eles enfrentam e contribuir para a permanência deles”, explica Rômulo.

Embora esta seja a primeira edição e ainda não existam turmas formadas, o coordenador destaca a adesão dos participantes e a frequência registrada ao longo das atividades. A expectativa é que o apoio oferecido durante a formação contribua para que os jovens concluam os cursos e tenham condições de buscar novas oportunidades.

Qualificação conectada à realidade de cada território

Os cursos oferecidos também levam em consideração os interesses dos próprios participantes e as possibilidades de inserção profissional nas regiões onde vivem. As opções de formação são apresentadas aos jovens, que participam da escolha das áreas em que desejam se qualificar.

“A qualificação profissional busca preparar esses jovens para as necessidades do mundo do trabalho na região onde vivem. Muitas das formações são debatidas com eles mesmos. Apresentamos as possibilidades e eles escolhem em qual querem atuar, considerando esse contexto”, explica.

O objetivo é que, ao final da formação, os participantes tenham melhores condições de ingressar no mercado de trabalho e conquistar independência financeira. Ao mesmo tempo, o projeto busca utilizar educação e qualificação como instrumentos para reduzir a exposição dos jovens à criminalidade e às drogas.

“O projeto tem esse duplo foco: o social e o da qualificação profissional. Ele oferece uma base para que, ao final, esses jovens tenham capacidade de inserção no mundo do trabalho e, ao mesmo tempo, novas possibilidades que os afastem do envolvimento com o crime e com as drogas”, afirma.

Educação como caminho para novas oportunidades

O contato com a educação profissional também pode abrir caminho para que os participantes retomem ou ampliem sua trajetória educacional. Segundo Rômulo Nobre, alguns jovens chegam ao projeto afastados do ambiente escolar e passam a conhecer, por meio das atividades, outras possibilidades de formação pública.

Cursos de curta duração podem funcionar como primeiro contato com a educação profissional e despertar o interesse pela continuidade dos estudos em cursos técnicos, superiores ou na Educação de Jovens e Adultos integrada à formação profissional, como o Proeja.

Ao comentar o potencial dessas políticas públicas, Rômulo também destaca, de forma mais ampla, a contribuição de instituições federais de ensino, como IFB e UnB, na promoção da inclusão social e na aproximação dos jovens com a educação formal. A participação específica de cada instituição, segundo ele, ocorre dentro das diferentes iniciativas e programas desenvolvidos no território.

“Quando falamos da junção de programas federais com instituições como o IFB e a UnB, estamos falando de inclusão social nessas comunidades e da potência que a formação profissional tem para mudar realidades. Muitos começam com um curso de 200 ou 400 horas e, a partir dali, passam a enxergar outras possibilidades na educação profissional”, afirma.

Para o professor, o impacto esperado vai além da conquista de uma vaga de emprego. A formação profissional associada à dimensão social pode contribuir para que jovens retomem os estudos, ampliem sua autonomia e construam novas perspectivas.

“Muitos deles já estão fora do ambiente escolar e, por meio desses programas, acabam aderindo novamente e voltando para a educação formal. A formação desperta esse interesse pela educação e abre possibilidades para que consigam se qualificar para o mercado profissional e mudar suas trajetórias”, conclui.

Page Reader Press Enter to Read Page Content Out Loud Press Enter to Pause or Restart Reading Page Content Out Loud Press Enter to Stop Reading Page Content Out Loud Screen Reader Support