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Universidade de Brasília articula saúde e educação em Ceilândia com projeto “Tecendo o Amanhã”

Publicada em 24 de junho de 2026

Ação une educação e saúde com espaços de escuta, acolhimento psicológico e mais de 1,1 mil atendimentos voltados a estudantes, professores e crianças neurodivergentes no Sol Nascente

Ansiedade, automutilação, exaustão emocional e dificuldades de aprendizagem passaram a fazer parte da rotina de muitas escolas públicas de Ceilândia no pós-pandemia. Em resposta a esse cenário, um projeto da Universidade de Brasília (UnB) vem transformando escolas e unidades de saúde da região em espaços de escuta, acolhimento e cuidado em saúde mental.

Intitulada “Tecendo o Amanhã”, a iniciativa é desenvolvida no campus Ceilândia da UnB e atua de forma integrada entre educação, saúde pública e comunidade. O projeto é coordenado pelas professoras Josenaide Engracia dos Santos, Daniela da Silva Rodrigues, Flávia Mazitelli e Sarah Raquel Almeida Lins, com financiamento da Câmara Legislativa do Distrito Federal, por meio de emenda parlamentar. A Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) apoia a execução administrativa e financeira das ações. 

O projeto nasceu a partir da experiência acumulada em ações de extensão realizadas desde 2014 no Sol Nascente. Segundo a coordenadora Josenaide Engracia, a convivência com famílias, escolas e equipes de saúde revelou o agravamento de casos de ansiedade, depressão, comportamento suicida e transtornos do neurodesenvolvimento entre crianças e adolescentes.

“Observamos um aumento significativo da demanda em saúde mental e um tempo de espera de até quatro anos para atendimentos especializados de crianças neurodivergentes. Isso nos inquietou profundamente e motivou a criação do projeto”, afirma a professora.

Atendimento multiprofissional e apoio às famílias

O “Tecendo o Amanhã” atua em três frentes principais. A primeira é voltada ao atendimento de crianças e adolescentes neurodivergentes, especialmente casos de transtorno do espectro autista (TEA), TDAH e transtornos de aprendizagem. Os atendimentos acontecem na UBS 01 de Ceilândia, no Sol Nascente, com apoio de uma equipe multiprofissional e estudantes extensionistas da UnB.

O trabalho inclui diagnóstico precoce, acompanhamento terapêutico e orientação às famílias e escolas. Até a primeira quinzena de maio de 2026 já foram realizados mais de 1500 atendimentos nesse eixo.

“O diagnóstico precoce amplia as possibilidades de aprendizagem, autonomia e inclusão social dessas crianças”, destaca Josenaide.

Outra frente do projeto atua diretamente com professores da rede pública de ensino. As ações incluem rodas de conversa, espaços de acolhimento e práticas integrativas voltadas à redução do estresse e ao fortalecimento da saúde emocional dos docentes.

Ao longo de 2025, cerca de 103 professores participaram das atividades e relataram melhora no bem-estar, fortalecimento dos vínculos no ambiente escolar e maior sensação de acolhimento.

Rodas de conversa fortalecem vínculo entre estudantes e escola

Com os estudantes do ensino médio, as ações acontecem principalmente no Centro de Ensino Médio 12 de Ceilândia (CEM 12). O projeto promove rodas de conversa, oficinas e pontos permanentes de escuta sobre autoestima, bullying, ansiedade, redes sociais, relações familiares e projetos de vida.

Os alunos também participam de atividades culturais e de autocuidado nos intervalos escolares, com música, dança, jogos e arte coletiva. As ações têm fortalecido o protagonismo juvenil e transformado o ambiente escolar em um espaço mais acolhedor.

Cerca de 150 estudantes participaram das atividades em 2025. Alguns deles ingressaram na própria Universidade de Brasília e hoje retornam ao projeto como extensionistas.

“A escola precisa ser também um espaço de cuidado, e não apenas de desempenho e cobrança”, afirma a coordenadora.

Saúde mental e desigualdade social

Para os organizadores, discutir saúde mental em Ceilândia também significa enfrentar os impactos da desigualdade social, da violência e da insegurança alimentar sobre crianças, adolescentes e professores.

“Nós queremos contribuir para um futuro em que jovens, famílias e profissionais da educação tenham mais condições de sonhar, permanecer na escola e cuidar da saúde mental”, conclui Josenaide.

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