Em 2008 o noticiário nacional trouxe à tona uma questão importante para a educação e a pesquisa nas universidades brasileiras - Qual a importância das fundações de apoio para a universidade e para a comunidade acadêmica?
É claro que a universidade funciona perfeitamente sem as fundações. Mas, é preciso reconhecer, funcionam muito melhor com o apoio de suas fundações. As universidades brasileiras padecem do mal da burocracia que lhes foi imposta, sua autonomia é restrita. Por isso é que foram criadas as fundações de apoio, que são instituições privadas, autônomas, regidas por estatuto próprio e sem fins lucrativos. Acredito que sem a flexibilidade e a experiência administrativa das fundações o laboratório é fechado, acaba-se o projeto de extensão e a cooperação cientÃfica e, por fim, a ponte que liga a universidade à sociedade desaba.
A imprensa apontou, criticou e condenou de maneira implacável a estrutura e as falhas das fundações, mas e as facilidades proporcionadas por sua existência? E os ganhos que o trabalho desempenhado por elas gerou para a educação brasileira devem ser negligenciados, simplesmente esquecidos?
É de conhecimento comum que o ensino superior no Brasil cresceu muito nos últimos anos e que, constantemente, aparecem novas necessidades e desafios. As perguntas a serem respondidas são: E os repasses governamentais cresceram na mesma proporção? O governo investe o suficiente em pesquisa, em desenvolvimento tecnológico e cientÃfico, no aprimoramento dos professores? Pois é isso que as tão criticadas fundações de apoio fazem por finalidade estatutária.
Na ausência de polÃticas públicas as universidades ampliaram suas atividades e hoje os hospitais universitários atendem milhões de brasileiros carentes, isso para citar apenas um exemplo. A universidade se beneficia da relação com as fundações porque essas cumprem, muitas vezes, o papel do estado, e a comunidade acadêmica sabe disso.
A sociedade civil não tem esse conhecimento talvez por falta de informação ou desvirtuamento da informação. Mas é fato. As fundações de apoio à s universidades investem na melhoria da pesquisa cientÃfica, fornecem condições para o desenvolvimento de projetos de extensão de alunos e professores, custeiam laboratórios, equipamentos, viagens, eventos e cursos, por meio de seus programas de fomento. Todo esse trabalho e investimento devem ser esquecidos por conta de uma lixeira? Por uma decisão equivocada?
A universidade tem condições, hoje, de relegar suas fundações ao segundo plano? A burocracia e o engessamento do sistema irão prevalecer sobre a educação e a pesquisa? No dia em que a universidade federal brasileira estiver livre da burocracia do sistema e for respeitada em sua autonomia, aà sim, as fundações perderão suas funções e desaparecerão. Enquanto isso não acontece é importante reconhecermos a necessidade das fundações e a importância de suas contribuições para a comunidade universitária, e a sociedade em geral. Não podemos deixar que a insanidade de alguns traga retrocesso ao paÃs que os empreendedores tanto se esforçam para criar.
Silvia Regina Gobbo é doutora em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, professora do Instituto de Geociências da UnB e membro do Conselho Superior da Finatec


